A personal trainer que morava no mesmo condomínio
Ela dava aula de segunda a sábado lá embaixo. Eu malh ava todo dia só para cruzar com ela no elevador. Até o dia em que o elevador travou.
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Ela dava aula de segunda a sábado lá embaixo. Eu malh ava todo dia só para cruzar com ela no elevador. Até o dia em que o elevador travou.
Seis horas de espera, café horrível e uma conversa que começou por tédio e terminou com troca de número — e muito mais.
Vinte minutos de corrida, uma conversa que não devia ter ido tão longe e um número que fiquei olhando por dois dias antes de mandar mensagem.
Éramos colegas de congresso. Dois dias de palestras e uma piscina vazia à meia-noite. Nenhum dos dois lembra de quanto tempo ficamos lá.
A gente sempre dizia que ciúme não fazia parte do nosso plano de abrir o relacionamento. Na primeira festa de casal aberto que fomos juntos, descobri que o que eu sentia vendo meu marido com outra mulher não era bem o que eu esperava.
Era só um bilhete dobrado no bolso do paletó: três regras pra seguir até a noite, sem perguntar por quê. Eu não imaginava o quanto aquele pequeno gesto de entrega ia mudar o resto do meu dia.
Ele vinha em casa toda semana pra assistir futebol com meu marido. Eu sempre soube que aquele olhar dele significava algo, só não esperava que um dia eu fosse responder.
A gente treinava no mesmo horário há meses, sempre trocando uma palavra ou outra entre as séries. Numa sexta-feira vazia, ajudar ela a ajustar a postura num exercício acabou em outra coisa completamente diferente.
Sempre vivi convencido de que sabia exatamente o que eu queria. Até conhecer ele numa festa e perceber que a curiosidade que eu enterrava há anos não ia mais ficar quieta.
A playlist trocou pra sertanejo, ele me convidou pra dançar e eu não soltei a mão dele até o Uber chegar. Nunca pensei que ia sair de uma balada de sexta-feira sem nem saber o sobrenome dele.
Ela vinha passar o Natal na nossa casa todo ano, como sempre. Esse ano eu não consegui mais fingir que era só a irmã da minha esposa.
Toda sexta a gente trava a porta do escritório de casa e vira outras pessoas: ela é a chefe exigente, eu sou o assistente que nunca aprende a fazer certo. Essa semana a fantasia foi mais longe do que o roteiro combinado.
Três horas de estrada sozinha, rádio baixo e a mente finalmente quieta. Foi numa parada de posto, no banco do carro, que percebi há quanto tempo eu não escutava o que meu próprio corpo queria.
Depois de meses sem tempo para mim, reservei uma suíte sozinha por uma noite. Não esperava que a primeira coisa que eu fosse redescobrir naquele quarto fosse o tamanho do meu próprio desejo.
Conversamos sobre limites, palavras de segurança e o que cada um esperava antes de qualquer coisa acontecer. Só depois de tudo combinado é que percebi o quanto a entrega podia ser mais intensa do que eu imaginava.
Dois anos sem deixar ninguém se aproximar. Eu tinha certeza de que tinha esquecido como era querer alguém, até a noite em que o medo de me abrir virou outra coisa completamente diferente.
Começou com um 'bom dia' educado no elevador, todos os dias às sete da manhã. Meses depois, eu já cronometrava minha saída de casa só para garantir aqueles trinta segundos com ele.
Três anos trabalhando lado a lado, fingindo que aquela tensão não existia. Até a noite em que ficamos os últimos no escritório e nenhum dos dois foi embora.
Dois dias em São Paulo, o mesmo hotel, jantar que durou até meia-noite e uma proposta que ela fez com total clareza.
Depois do término, ela continuou aparecendo. Primeiro por educação, depois porque a gente queria. Só levamos meses para admitir.