A viagem de negócios com minha chefe que saiu do roteiro
Dois dias em São Paulo, o mesmo hotel, jantar que durou até meia-noite e uma proposta que ela fez com total clareza.
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Dois dias em São Paulo, o mesmo hotel, jantar que durou até meia-noite e uma proposta que ela fez com total clareza.
Três anos trabalhando lado a lado, fingindo que aquela tensão não existia. Até a noite em que ficamos os últimos no escritório e nenhum dos dois foi embora.
Ela bateu na minha porta pedindo um favor simples. A chuva não parou por horas. Nenhum dos dois quis ir embora quando ela parou.
As aulas eram de matemática. A tensão era de outra coisa. Levamos três semanas para parar de fingir que era só sobre equações.
Ela dava aula de segunda a sábado lá embaixo. Eu malh ava todo dia só para cruzar com ela no elevador. Até o dia em que o elevador travou.
Ele vinha em casa toda semana pra assistir futebol com meu marido. Eu sempre soube que aquele olhar dele significava algo, só não esperava que um dia eu fosse responder.
Eles me convidaram com antecedência, com conversa, com clareza. Eu não sabia o que esperar. O que encontrei foi muito além do que imaginei.
Dois anos sem deixar ninguém se aproximar. Eu tinha certeza de que tinha esquecido como era querer alguém, até a noite em que o medo de me abrir virou outra coisa completamente diferente.
A gente sabia que estava brincando com fogo desde que a amizade começou. Na noite do aniversário dela, o fogo finalmente chegou.
Só nos conhecíamos de vista, colegas de curso dividindo quarto de hotel por acaso do sorteio da viagem de formatura. A primeira noite foi silêncio incômodo; a segunda, uma conversa que foi até tarde demais para as duas camas continuarem separadas.
Depois do término, ela continuou aparecendo. Primeiro por educação, depois porque a gente queria. Só levamos meses para admitir.
Quatro amigos, um sítio sem sinal, muito churrasco e a noite toda pela frente. O que aconteceu entre dois deles ninguém vai confirmar.
Três da manhã, um posto de estrada vazio e outro caminhão estacionado a poucos metros do meu. Fomos os dois fingir que só queríamos um café, mas a conversa na mesa de plástico foi ficando mais devagar, mais próxima, até a madrugada resolver o resto.
Todo mundo foi embora cedo. A gente ficou mais uma rodada. Depois mais uma. Aí parou de ser sobre a cerveja.
Depois de meses sem tempo para mim, reservei uma suíte sozinha por uma noite. Não esperava que a primeira coisa que eu fosse redescobrir naquele quarto fosse o tamanho do meu próprio desejo.
Ela morava no apartamento ao lado quando éramos adolescentes, antes da família se mudar de cidade. Uma década depois, reapareceu na reunião de condomínio como se nenhum tempo tivesse passado — e a tensão que a gente nunca admitiu também não tinha ido embora.
Casado há oito anos, eu tinha certeza de que aquela parte de mim tinha ficado para trás na faculdade. Até o novo personal trainer da academia começar a corrigir minha postura com as mãos e eu perceber que não tinha ficado para trás coisa nenhuma.
A gente sempre dizia que ciúme não fazia parte do nosso plano de abrir o relacionamento. Na primeira festa de casal aberto que fomos juntos, descobri que o que eu sentia vendo meu marido com outra mulher não era bem o que eu esperava.
A corrida devia durar vinte minutos até em casa. Mas o silêncio no carro foi enchendo de uma tensão que nenhum dos dois quis quebrar — só trocávamos olhares pelo retrovisor, e cada semáforo vermelho parecia durar mais que o normal.
Eu tinha curiosidade há anos mas nunca tinha passado dos pensamentos. Até conhecer ela na viagem e perceber que estava na hora.