A instrutora de yoga era da mesma academia que minha esposa
Minha esposa falava dela pelo nome há três meses antes de eu aparecer numa aula. Depois que eu apareci, parei de ouvir o nome — porque ficou difícil fingir que era só isso.
Histórias que exploram o território proibido dos casos amorosos e das traições — com toda a tensão, culpa e desejo que essa linha tênue carrega. Contos escritos com profundidade emocional, não apenas sexo.
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Minha esposa falava dela pelo nome há três meses antes de eu aparecer numa aula. Depois que eu apareci, parei de ouvir o nome — porque ficou difícil fingir que era só isso.
O timing foi péssimo e eu sabia. Ela precisava de um sócio, eu precisava de um motivo. A empresa cresceu, o casamento não — e entre reuniões e chamadas, o que era profissional parou de ser.
Essa era a regra há seis anos. Eu ficava sóbrio, ela aproveitava, eu buscava no fim. Numa festa com três casais, fui buscar a pessoa errada — e levei até a casa certa, pelo caminho mais longo.
Eram onze da noite quando chegou: "ainda nesse setor?". Cinco anos, uma empresa diferente e uma mensagem sem contexto nenhum. Respondi — e devia ter deixado pra manhã.
Ficou olhando por vinte minutos, fechou o celular. Não disse nada. Na semana seguinte, respondeu a uma mensagem que tinha deixado sem resposta havia três semanas.
Dois anos com as mesmas regras não ditas: sem fotos, sem fins de semana, sem perguntas sobre a vida em casa. Era suficiente — até a noite em que ele chegou mais cedo que o combinado e ela percebeu que o acordo tinha mudado sem avisar.
Estava namorando fazia dois anos quando o irmão dela voltou de fora. Era o tipo de coisa que eu nunca imaginaria — até o jantar de aniversário dela, onde a gente ficou na varanda por duas horas e o assunto mudou sem que nenhum de nós percebesse.
A mesa de fora do evento de trabalho era pra quem precisava de ar. Os dois precisavam. Depois de dois copos de vinho e uma conversa honesta demais, o fato de os dois serem casados virou só mais uma das coisas que a gente decidiu não mencionar.
O apartamento dele ficava no andar de baixo. Toda vez que o tom lá em cima subia, eu inventava um motivo pra descer. Levei meses para admitir que eu não ia só pra fugir.
Sete anos e um casamento depois, o nome dele apareceu no programa do congresso onde eu também estava. Três dias no mesmo hotel, dez anos de coisas não ditas e um jantar que ninguém tinha planejado.
Era só um grupo de corrida. Eu precisava de um hobby, ele precisava de ritmo. Três meses de sábados às seis da manhã e eu percebi que a última coisa que eu queria era que aquilo fosse só sobre correr.
Sabia que não devia desde o primeiro olhar. Mas naquela festa, com todo mundo bebendo e ela do meu lado no terraço, lembrar do 'não devo' foi a coisa mais difícil que eu já tentei.
Oito meses de ligações mensais de trabalho, sempre profissional, sempre eficiente. Até o dia em que a chamada foi um pouco mais longa do que devia, ele perguntou como eu estava, e eu percebi que queria responder de verdade.
Ele vinha em casa toda semana pra assistir futebol com meu marido. Eu sempre soube que aquele olhar dele significava algo, só não esperava que um dia eu fosse responder.
Ela vinha passar o Natal na nossa casa todo ano, como sempre. Esse ano eu não consegui mais fingir que era só a irmã da minha esposa.
Depois do término, ela continuou aparecendo. Primeiro por educação, depois porque a gente queria. Só levamos meses para admitir.