Sempre fui eu que dirigia quando ela bebia demais na festa dos outros

Essa era a regra há seis anos. Eu ficava sóbrio, ela aproveitava, eu buscava no fim. Numa festa com três casais, fui buscar a pessoa errada — e levei até a casa certa, pelo caminho mais longo.

Eu sempre fui o motorista designado das nossas noites de festa. Minha esposa, Luciana, tinha um fígado de aço e aproveitava cada copo que lhe era oferecido, enquanto eu ficava sóbrio para garantir que ela chegasse em casa são e salva. Essa era a nossa rotina há seis anos, e eu não me importava com isso. Afinal, ela sempre soube que, no fim da noite, seria eu quem a levaria para casa.

Nossa última festa foi com os outros três casais que frequentávamos. Era uma casa grande, com uma piscina enorme e uma mesa de bebidas que parecia não ter fim. Luciana estava animada, rindo e brindando com todos, enquanto eu observava da beira da piscina, tomando meu uísque com gelo.

A noite foi passando, e Luciana começou a ficar meio instável em seus saltos altos. Eu já estava de olho nela há algum tempo, e quando ela cambaleou pela terceira vez, decidi que era hora de ir embora. Mas, quando fui procurá-la, percebi que ela não estava no jardim. Depois de vasculhar a casa, fui encontrar Luciana no quarto de hóspedes, aos beijos com o marido da melhor amiga dela. Fiquei paralisado, sem saber o que fazer. Eles nem perceberam minha presença, tão envolvidos quanto estavam um no outro.

Decidi sair do quarto e esperar que eles terminassem. Sentei-me no corredor, apoiando minha cabeça nas mãos, tentando entender o que tinha acabado de ver. Depois de alguns minutos, eles saíram do quarto, ajeitando-se enquanto riam baixinho. Quando me viram ali, sentaram-se ao meu lado, cada um de um lado, e me abraçaram.

- Desculpa, Carlos - disse ela, ainda com a voz meio pastosa. - Não vai acontecer de novo, prometo.

Eu não respondi, apenas levantei-me e fui buscar minhas chaves no bolso da calça. Eles se levantaram também, e fomos para o carro. Mas, quando dei a partida, percebi que estava dirigindo para a casa errada. Em vez de ir para o apartamento de Luciana e eu, fui para a casa do casal com quem ela havia acabado de trair a amiga.

Conforme dirigíamos, Luciana começou a se aconchegar no meu colo, e eu podia sentir sua respiração quente no meu pescoço. Ela começou a beijar meu pescoço, minha orelha, enquanto o casal no banco de trás fazia o mesmo um com o outro. Eu tentei me concentrar na estrada, mas era difícil com Luciana tão próxima e tão disposta.

Quando chegamos à casa do casal, eles saíram do carro e foram para dentro, sem nem mesmo nos convidar para entrar. Luciana e eu ficamos no carro, ela ainda em meu colo, e eu com as mãos no volante. Ela começou a beijar meu peito, minha barriga, enquanto eu tentava controlar minha respiração.

- Carlos, me leva para dentro - ela sussurrou, com os olhos brilhando de desejo.

Eu hesitei por um momento, mas ela não esperou pela minha resposta. Ela abriu a porta do carro e saiu, puxando-me pela mão. Entramos na casa e fomos direto para o quarto do casal. Eles já estavam na cama, nus e abraçados, e nos receberam com sorrisos convidativos.

Eu não consegui resistir ao convite. Luciana começou a me despir enquanto eu a beijava com vontade, e em pouco tempo estávamos os quatro nus e excitados na cama. Foi uma noite longa e cheia de paixão, com cada um de nós explorando o corpo dos outros, beijando e acariciando cada centímetro de pele.

Quando finalmente acabou, fiquei deitado ao lado de Luciana, tentando entender o que havia acontecido. Ela estava dormindo profundamente, com um sorriso satisfeito no rosto. Eu saí da cama e fui tomar um banho, tentando lavar toda a culpa e o arrependimento que sentia.

Quando voltei para o quarto, Luciana já estava acordada e me recebeu com um beijo. Ficamos ali, abraçados, até que foi hora de ir embora. Nós quatro nos vestimos e fomos para o carro, em silêncio. Mas, quando entramos no carro, Luciana segurou minha mão e disse:

- Não conte para ninguém, Carlos. Não queremos estragar nossas vidas por uma noite de sexo.

Eu concordei, entendendo o que ela queria dizer. Nós quatro tínhamos traído nossos parceiros, e não queríamos que isso estragasse nossas vidas. Mas, enquanto dirigíamos para casa, não pude deixar de me perguntar se valia a pena continuar com essa vida de mentiras e segredos. Afinal, tínhamos cruzado uma linha que não tinha volta, e agora só nos restava viver com as consequências.

Enquanto dirigíamos para casa, Luciana ficou em silêncio, olhando pela janela. O casal no banco de trás também não dizia nada, cada um perdido em seus próprios pensamentos. Quando chegamos à minha casa, Luciana me pediu para estacionar um pouco mais longe, para não acordarmos os vizinhos. Saímos do carro e caminhamos até a porta da minha casa, com o casal nos seguindo de perto. Quando entramos, Luciana foi direto para o sofá, onde se sentou e me fez um sinal para que eu me sentasse ao lado dela. O casal ficou de pé, olhando para nós dois com expectativa.

- Vocês querem alguma coisa para beber? - perguntei, tentando quebrar o silêncio desconfortável. - Não, obrigada - respondeu a mulher, enquanto o homem balançava a cabeça em negativa. - Olha, Carlos, acho que precisamos conversar - começou Luciana, virando-se para mim. - Aquilo que aconteceu hoje não pode acontecer de novo. Foi uma noite ótima, mas não podemos continuar assim, sabe? - Eu sei - concordei, entendendo o que ela queria dizer. - Não é certo continuar mentindo para os nossos parceiros. Eles não merecem isso. - Exatamente - continuou Luciana. - E eu acho que seria melhor não nos vermos mais por um tempo, pelo menos até que tudo isso tenha esfriado um pouco. - Concordo - disse o homem, finalmente falando. - Foi uma noite incrível, mas não podemos colocar nossas famílias em risco. - Certo - disse a mulher. - Acho que é melhor irmos embora agora. Obrigada pela noite, Carlos. Foi... diferente. - Sim, obrigado - disse o homem. - Foi ótimo conhecer você. Eles saíram pela porta da frente, deixando Luciana e eu sozinhos no sofá. - Você vai contar para o seu namorado? - perguntei a Luciana depois que eles saíram. - Não sei - ela suspirou. - Não sei o que fazer. Mas acho que preciso pelo menos tentar fazer as coisas direito dessa vez. - Eu entendo - disse, pegando sua mão na minha. - E se precisar conversar ou o que quer que seja, estarei aqui para você. Não precisamos mais nos ver assim, mas podemos ser amigos, não é? - Claro - ela sorriu, agradecida. - Obrigada, Carlos. Eu não me arrependo do que aconteceu hoje, mas também não quero que isso nos destrua. Precisamos seguir em frente. - Sim, precisamos - concordei, enquanto a acompanhava até a porta. - Cuide-se, Luciana. - Você também, Carlos - ela disse, antes de sair e fechar a porta atrás de si.

Carlos ficou alguns minutos olhando para a porta fechada, depois de Luciana sair. Ele se sentia aliviado por ter tomado a decisão certa, mas também sentia uma pontada de tristeza pelo que tinha acontecido. Ele voltou para o sofá e ficou olhando para o teto, perdido em seus pensamentos.

De repente, ouviu uma batida na porta. Carlos ficou surpreso e foi ver quem era. Quando abriu a porta, ficou ainda mais surpreso ao ver que era o homem com quem Luciana tinha ficado na festa. Ele estava sozinho e parecia nervoso.

- Oi, Carlos - disse ele, passando a mão pelo cabelo. - Eu precisava falar com você. Posso entrar? Carlos ficou em silêncio por alguns segundos, depois abriu a porta e deixou o homem entrar. Eles foram para o sofá e se sentaram um de frente para o outro.

- O que você quer me dizer? - perguntou Carlos, curioso.

- Bem, eu não sei como dizer isso - começou o homem, parecendo meio sem jeito. - Mas eu não consegui parar de pensar em você hoje à noite. Aquilo que aconteceu entre nós três foi incrível, e eu não quero que isso acabe assim. Eu gostaria de continuar vendo você, só nós dois.

Carlos ficou surpreso com a confissão do homem. Ele não esperava que ele sentisse o mesmo que ele próprio sentia. Ele ficou em silêncio por alguns minutos, pensando no que fazer.

- Eu não sei, cara - disse Carlos finalmente. - Eu não sei se é uma boa ideia continuar com isso. Quero dizer, nós temos nossas próprias famílias para pensar, e não queremos magoar ninguém, certo?

- Eu sei disso - disse o homem, concordando. - Mas eu acho que podemos encontrar uma maneira de fazer isso funcionar. Não precisamos contar para ninguém, podemos apenas nos encontrar quando tivermos tempo livre. E quem sabe, podemos até encontrar uma maneira de incluir a Luciana também, se ela quiser.

Carlos ficou surpreso com a proposta do homem. Ele nunca tinha considerado a ideia de continuar um relacionamento secreto com duas pessoas diferentes. Mas, ao mesmo tempo, ele sentia uma atração forte pelo homem à sua frente, e não podia negar que a ideia o excitava.

- Eu não sei, cara - disse Carlos finalmente. - Eu preciso pensar sobre isso. Não quero fazer nada que possa magoar alguém.