O entregador bateu na porta errada
O endereço estava errado em uma letra. Ele entrou no hall certo, bateu na porta errada. Ela atendeu com o cabelo molhado, percebeu o engano na terceira frase — mas não foi ela quem abreviou a conversa.
Uber, fila do mercado, elevador do prédio — contos de encontros brevíssimos que se transformam em algo inesquecível. A intensidade que só existe quando o tempo é curto e o desejo é imediato.
7 contos nesta categoria
O endereço estava errado em uma letra. Ele entrou no hall certo, bateu na porta errada. Ela atendeu com o cabelo molhado, percebeu o engano na terceira frase — mas não foi ela quem abreviou a conversa.
A senha dele era 240, a dela era 241. Duas horas de espera num cartório sem Wi-Fi, uma única tomada. Dividiram o carregador, depois o silêncio, depois o número de telefone.
O painel mostrava dezesseis senhas à frente. Ela chegou depois, pegou a senha logo atrás da minha, e disse que era melhor ter companhia quando o número demora. Tinha razão.
A revisão ia ser quarenta minutos, não uma hora. Quando o mecânico sumiu para buscar a peça, ficamos na salinha com duas cadeiras de plástico, uma TV com sinal ruim e todo o tempo do mundo.
Chuva fechada, uma cobertura pequena e os dois únicos que esperavam aquele ônibus. Quarenta e cinco minutos de conversa que começou por obrigação e foi ficando tão boa que, quando o ônibus parou, nenhum dos dois se mexeu.
Seis horas de espera, café horrível e uma conversa que começou por tédio e terminou com troca de número — e muito mais.
Vinte minutos de corrida, uma conversa que não devia ter ido tão longe e um número que fiquei olhando por dois dias antes de mandar mensagem.