A câmera do notebook ficou ligada depois que todo mundo saiu
Era pra ser mais uma reunião de home office com vinte pessoas. Quando o último alguém saiu, a câmera ficou ligada — e só nós dois percebemos.
Contos eróticos que se passam no ambiente de trabalho, entre colegas, chefes e funcionários. A tensão do cotidiano corporativo vira cenário perfeito para encontros inesperados e desejos que mal cabem entre reuniões e planilhas.
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Era pra ser mais uma reunião de home office com vinte pessoas. Quando o último alguém saiu, a câmera ficou ligada — e só nós dois percebemos.
Seis meses passando na sala dela sem que nada fosse dito. No último dia, com a caixa já na mão, ele bateu na porta e ela disse: eu sei.
Três anos no mesmo setor, perdendo as mesmas contas, escrevendo os mesmos pós-mortems. Num dia qualquer depois de mais uma derrota, ela fechou a porta da sala de reunião e não era para falar de estratégia.
Ela entrou liderando dezessete pessoas sem perguntar o nome de ninguém. Seis meses depois, numa tarde de segunda-feira, me chamou pelo nome na frente de todos — e depois quis falar em particular.
Ela pediu orientação de carreira, ele aceitou por educação. Cinco encontros depois, nenhum dos dois estava mais falando sobre carreira.
A sala A1 era a melhor do andar: silenciosa, boa conexão, vista para o jardim. A gente nunca tinha trocado mais do que um 'com licença'. Numa terça com tudo ocupado, a recepcionista perguntou se a gente topava dividir por uma hora.
Sempre fui eu quem dava o tour pra quem chegava novo — por costume, por antiguidade, por nunca ter dito não. Desta vez, no final do percurso, ele me agradeceu com a pergunta mais direta que eu já ouvi num primeiro dia de trabalho.
Seis meses disputando a mesma mesa no coworking sem trocar uma palavra — só olhares. Num dia de chuva que esvaziou o espaço, a mesa estava livre às oito. Mas ele já estava lá, com dois cafés na mão.
Avaliações anuais duravam quarenta minutos. A dele durou quase duas horas — a gente parou de falar sobre indicadores antes do primeiro terço, e eu era a gestora responsável pelo processo.
Todo mundo foi antes. Eles dois chegaram no mesmo instante às onze e meia — ela vindo do banheiro, ele com o casaco na mão. Nenhum dos dois foi embora naquela hora.
Três anos trabalhando no mesmo andar, sempre cortês, sempre profissional. Quando o comunicado de transferência apareceu no e-mail geral, eu percebi que tinha uma semana para admitir algo que fingia não existir há muito tempo.
Eu me repetia toda segunda de manhã: profissional, focada, sem enrolar. Na décima segunda reunião, eu me esqueci de repetir a regra.
Todo mundo ia desligar, mas a gente ficou. Sem pauta, sem motivo de trabalho. Só a câmera ligada e aquele silêncio que a gente nunca tinha tido nos meses de home office. Foi aí que eu percebi que tínhamos muito mais o que conversar.
Três anos trabalhando lado a lado, fingindo que aquela tensão não existia. Até a noite em que ficamos os últimos no escritório e nenhum dos dois foi embora.
Dois dias em São Paulo, o mesmo hotel, jantar que durou até meia-noite e uma proposta que ela fez com total clareza.
Foi rápido, mas era inconfundível. Passamos a semana inteira fingindo que não tinha acontecido. Na sexta, nenhum dos dois aguentou mais.