Ele ia ser transferido para BH na sexta — e eu percebi na segunda que estava sem tempo
Três anos trabalhando no mesmo andar, sempre cortês, sempre profissional. Quando o comunicado de transferência apareceu no e-mail geral, eu percebi que tinha uma semana para admitir algo que fingia não existir há muito tempo.
Eu soube que ele ia embora na segunda-feira. A mensagem chegou pela manhã, quando eu ligava meu computador para começar mais um dia interminável de trabalho. A leitura daqueles poucos parágrafos mudou tudo: o clima no escritório ficou pesado, os sorrisos eram forçados e as palavras tinham sabor amargo.
Eu trabalhava com ele havia três anos. Sempre fomos colegas profissionais e educados, mas nunca passamos dos limites do correto. Mas eu sentia alguma coisa entre nós, algo que não conseguia definir direito. Era como se tivéssemos uma conexão invisível, um elo quase tangível que nos unia.
Ele era alto e forte, com músculos definidos pela academia diária. Tinha um sorriso lindo, dentes brancos e perfeitos, e os olhos mais verdes que eu já tinha visto. Era inteligente e sempre muito bem-vestido, com aquelas calças sociais que lhe caíam como uma segunda pele.
Eu não conseguia parar de pensar nele, mesmo depois da notícia da transferência. Passei a semana toda em um estado de espírito estranho, entre tristeza pela sua partida iminente e medo do que sentia por ele. Eu não podia me permitir gostar dele, não assim, não agora.
Mas o tempo estava se esgotando e eu precisava fazer algo, dizer alguma coisa antes que fosse tarde demais. Na quarta-feira, tomei uma decisão: iria convidá-lo para um drinque depois do trabalho, como amigos, só para conversarmos sobre a mudança e o que viria pela frente.
Quando chegamos ao bar, ele pediu uísque com gelo e eu pedi vinho tinto. Ficamos em silêncio por alguns segundos, enquanto o garçom servia nossas bebidas. Depois, começamos a conversar sobre amenidades, até que finalmente abordamos o assunto proibido: sua partida.
Eu o escutei atentamente enquanto ele falava sobre as oportunidades que teria em Belo Horizonte e como estava ansioso para começar essa nova fase. Mas meu coração doía cada vez mais com a ideia de que ele iria embora. Quando ele terminou de falar, eu tomei um gole do meu vinho e respirei fundo antes de dizer:
- Eu vou ser sincera com você. Eu não posso deixar que você vá embora sem lhe contar o que sinto.
Ele ficou surpreso com minha confissão, mas também parecia curioso e até mesmo um pouco ansioso. Eu continuei:
- Desde que eu comecei a trabalhar com você, há três anos, eu sempre senti alguma coisa entre nós. Era como se tivéssemos uma conexão invisível, algo que não conseguíamos definir direito. Mas agora, com a notícia da sua transferência, eu percebi que não posso deixar que você saia da minha vida sem lhe contar o quanto eu gosto de você.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, parecendo surpreso e até mesmo emocionado com minhas palavras. Depois, ele sorriu para mim e disse:
- Eu também sinto isso entre nós. E eu também não queria ir embora sem lhe contar o que eu sinto por você.
Nós nos aproximamos um do outro no banco do bar e começamos a conversar sobre nossos sentimentos. Foi uma noite incrível, em que finalmente conseguimos expressar tudo o que tínhamos guardado dentro de nós por tanto tempo. Quando o bar começou a fechar, nós saímos abraçados, sabendo que teríamos que aproveitar ao máximo os poucos dias que ainda nos restavam juntos.
Na quinta-feira, decidimos ir almoçar juntos em um restaurante próximo ao trabalho. Durante o almoço, nós conversamos sobre tudo e nada, aproveitando cada momento juntos. Quando voltamos para o escritório, percebemos que já era tarde e que tínhamos perdido uma parte do expediente. Mas não nos importávamos, pois estávamos juntos e aproveitando cada segundo.
Na sexta-feira, o último dia de trabalho dele antes da transferência, decidimos nos encontrar novamente no bar após o trabalho. Dessa vez, porém, eu tinha uma surpresa para ele. Quando chegamos ao bar, eu lhe entreguei um envelope com uma passagem de avião para Belo Horizonte, com data aberta.
- O que é isso? - perguntou ele, surpreso.
- É uma passagem de avião para quando você quiser vir me visitar em BH - respondi sorrindo. - Eu não posso perder você completamente da minha vida agora que finalmente sei o quanto eu gosto de você.
Ele ficou emocionado com meu gesto e me agradeceu pelo presente. Nós brindamos à nossa amizade e ao novo capítulo que estava começando em nossas vidas, sabendo que, mesmo a distância, sempre teríamos um ao outro para nos apoiar e nos fazer feliz.
Ele passou os dias seguintes emocionado e cheio de gratidão pelo presente que eu lhe fizera. Conversávamos todos os dias por telefone ou mensagens, mesmo depois de ter partido para Belo Horizonte. E assim passamos um mês inteiro, até que ele finalmente conseguiu uma folga no trabalho e pôde vir me visitar.
Quando o avião pousou em BH, corri para abraçá-lo assim que ele passou pela porta de chegadas. Estávamos tão felizes em ver um ao outro novamente que nem percebemos as pessoas ao nosso redor sorrindo para a cena romântica que estávamos fazendo. Fomos para meu apartamento e passamos o fim de semana inteiro juntos, aproveitando cada momento como se não houvesse amanhã.
No domingo à tarde, enquanto estávamos deitados na cama depois de uma rodada de sexo gostoso, eu olhei nos olhos dele e disse: - Eu não aguento mais ficar sem você. Não sei como vou fazer quando você tiver que voltar para São Paulo. Ele sorriu para mim e passou a mão no meu cabelo, dizendo: - Eu não quero mais ficar longe de você também. Foi por isso que eu fiz uma surpresa para nós dois. O que você acha de trabalharmos juntos em Belo Horizonte? Fiquei chocada com a notícia, mas ao mesmo tempo muito feliz. Ele continuou explicando que havia conversado com seu chefe e pedido transferência para a filial da empresa em BH. Eles haviam aceitado e agora estávamos livres para viver nosso relacionamento sem mais distância entre nós.
A partir daquele momento, começamos uma nova vida juntos em Belo Horizonte. Encontramos um apartamento lindo perto do trabalho e passávamos nossos dias entre reuniões, trabalho duro e muito sexo gostoso à noite. Estávamos tão felizes com a nossa nova situação que nem percebemos como o tempo passou até que chegou o aniversário dele.
No dia do seu aniversário, eu queria fazer algo especial para ele, então preparei um jantar romântico em casa com suas comidas favoritas e um bolo de chocolate com velinhas. Quando ele chegou do trabalho, levou um susto ao ver a mesa posta com todo o cuidado e a luz baixa. Sorri para ele e o convidei a se sentar enquanto eu servia o jantar.
Durante o jantar, conversamos sobre nossas vidas juntos e como havíamos mudado desde que nos conhecemos em São Paulo. Depois do jantar, levantei-me e fui até meu quarto, onde tinha uma surpresa guardada para ele. Voltei com um envelope na mão e entreguei a ele dizendo: - Feliz aniversário! Ele abriu o envelope e encontrou duas passagens aéreas para Paris. Olhou para mim com os olhos cheios de surpresa e emoção e disse: - Não acredito que você fez isso! Eu sempre sonhei em ir para Paris com a pessoa que amo. Agradeci ele pelo presente e disse que estava muito feliz por ter alguém tão incrível como ele na minha vida.
No dia seguinte, começamos a planejar nossa viagem para Paris, cheios de alegria e expectativa pelo que estava por vir. E assim seguimos, vivendo cada momento juntos com amor e alegria, aproveitando ao máximo cada oportunidade que tínhamos de estar juntos.
Depois de muitas pesquisas e planejamentos, finalmente chegou o dia da nossa viagem para Paris. Mal podíamos esperar para pisar na cidade dos sonhos do meu namorado e vivermos momentos inesquecíveis juntos.
Ao chegarmos ao aeroporto, estávamos tão animados que nem percebemos a agitação ao nosso redor. Mas assim que passamos pelo check-in e seguimos em direção à área de embarque, percebi que algo não estava certo. Olhei para o meu namorado com uma expressão preocupada e perguntei: - Tem certeza de que estamos no aeroporto certo? Ele franziu a testa e começou a verificar os detalhes da nossa reserva enquanto eu olhava ao redor tentando encontrar algum aviso sobre voos para Paris.
Depois de alguns minutos, ele finalmente encontrou o problema. - Droga! - exclamou. - Nós estamos no aeroporto errado. Tinha tão pouco tempo que não percebi quando anotei os detalhes da reserva. Agora vamos ter que ir até o aeroporto certo e pegar outro voo.
Fiquei decepcionada, mas não me deixei abater. Afinal, estávamos juntos e isso era tudo o que importava. Pegamos um táxi e fomos para o aeroporto correto, onde tivemos sorte de ainda ter lugares disponíveis no próximo voo para Paris.
Assim que chegamos à cidade dos sonhos do meu namorado, percebemos o quão diferente ela era em comparação com São Paulo e Belo Horizonte. As ruas estreitas, os prédios antigos e as pessoas falando numa língua que não entendíamos completamente nos deixavam ainda mais próximos um do outro.
Durante os dias seguintes, exploramos a cidade de mãos dadas, aproveitando cada momento juntos como se fosse o último. Visitamos o Louvre, o Palácio de Versalhes, a Torre Eiffel e caminhamos pela margem do Sena enquanto comíamos uma baguete fresca.
Mas o melhor de tudo foi poder experimentar a comida francesa juntos em pequenos bistrôs pelo caminho. A cada garfada, sentíamos como se estivéssemos mergulhando ainda mais fundo na cultura parisiense e nos aproximando ainda mais um do outro.
Em nossa última noite na cidade, decidimos fazer uma surpresa para o meu namorado. Depois de jantarmos em um restaurante romântico à beira do rio Sena, levei-o até um local que eu havia descoberto enquanto pesquisava sobre Paris: o Champ de Mars. Ali, em frente à Torre Eiffel iluminada, montei uma surpresa especial para ele com a ajuda de alguns amigos que tínhamos feito durante nossa viagem.