Cinco anos mostrando a empresa pra quem chegava — e o novo que me fez a pergunta mais direta do primeiro dia

Sempre fui eu quem dava o tour pra quem chegava novo — por costume, por antiguidade, por nunca ter dito não. Desta vez, no final do percurso, ele me agradeceu com a pergunta mais direta que eu já ouvi num primeiro dia de trabalho.

Eu sou a Carla, secretária do quinto andar há cinco anos. Minha função é recebeu os novos funcionários, mostrar-lhes onde ficam as coisas, apresentá-los aos outros e dar uma ideia geral do que se espera deles. É uma tarefa que eu assumi com prazer, mesmo que fosse por costume, antiguidade ou porque nunca disse não quando me pediram para fazê-lo.

O prédio é grande, cheio de salas e corredores que às vezes parecem um labirinto para quem não conhece. Mas eu conheço cada canto dele, cada porta, cada cadeira. Sei onde fica a máquina de café e onde estão os arquivos mais antigos. Sei quem gosta de silêncio e quem prefere música alta enquanto trabalha. Conheço todos eles, ou pelo menos conhecia até hoje.

Porque hoje chegou o novo funcionário. O sr. Anderson, que veio da matriz em Nova York para cuidar de uma nova linha de produtos. Ele é alto, loiro, com olhos azuis que parecem penetrar fundo demais quando olha para você. Tem um jeito seguro de si, como se soubesse exatamente onde está e o que deve fazer. E isso me desconcerta.

Eu acompanhei o sr. Anderson pelo prédio, apontando onde ficavam as coisas importantes e apresentando-o aos outros funcionários. Ele ouvia atentamente, fazendo perguntas aqui e ali, mas sempre com um ar de confiança em si mesmo. Quando chegamos à sua nova sala, ele agradeceu pelo tour e disse que estava ansioso para começar a trabalhar.

— Se precisar de qualquer coisa, é só me procurar — eu disse, sorrindo educadamente.

— Eu vou fazer isso — respondeu ele, devolvendo o sorriso.

Mas havia algo em seu olhar que me deixou desconfortável. Era como se estivesse me avaliando, não apenas como uma secretária, mas como algo mais. Balancei a cabeça para afastar esse pensamento e saí da sala dele, fechando a porta atrás de mim.

No entanto, quando estava voltando para minha mesa, percebi que o sr. Anderson tinha me seguido. Ele caminhava alguns passos atrás de mim, sem fazer barulho no carpete grosso. Quando chegamos à minha mesa, eu me virei para encará-lo.

— Em que posso ajudar, sr. Anderson? — perguntei, mantendo um tom profissional.

Ele sorriu novamente, mas dessa vez havia algo mais em seu sorriso. Algo que fez meu estômago revirar.

— Eu estava só me perguntando... — começou ele, aproximando-se de mim até estar a apenas alguns centímetros de distância. — Você conhece bem todos os funcionários aqui, não é? Inclusive você mesma?

Eu pisquei surpresa com sua pergunta tão direta. Não era comum que alguém fosse tão aberto em seu primeiro dia de trabalho.

— Bem, eu trabalho aqui há algum tempo, então sim, eu conheço a maioria das pessoas — respondi cuidadosamente.

O sr. Anderson continuou a me olhar intensamente, sem se mover nem um pouco. Era como se estivesse esperando por algo, mas não tenho certeza do quê.

— E quanto a você? — perguntou finalmente. — Você é uma funcionária muito dedicada, Carla. Eu posso ver isso. Mas o que mais há sobre você? O que gosta de fazer fora do trabalho? Tem alguém especial na sua vida?

Fiquei ainda mais surpresa com suas perguntas pessoais. Não era da conta dele minha vida particular, mas antes que eu pudesse responder, ele continuou:

— Sabe, eu não sou apenas o novo funcionário — disse ele, baixando a voz para um tom quase íntimo. — Eu também sou o novo chefe. E isso significa que eu preciso conhecer meu pessoal tão bem quanto possível. Inclusive você.

Havia algo em seu tom de voz que me fez sentir uma onda de calor pelo corpo todo. Eu não conseguia entender como ele podia ser tão direto e tão seguro de si mesmo, mas ao mesmo tempo havia algo atraente nisso tudo. Antes que eu pudesse responder, no entanto, um dos outros funcionários passou por nós e nos cumprimentou com um aceno de cabeça.

— Bom dia, Carla — disse ela, sorrindo para mim antes de continuar caminhando pelo corredor.

Eu aproveitei a oportunidade para me afastar do sr. Anderson e recuperar meu fôlego.

Eu passei o resto do dia mergulhada em trabalho, tentando me concentrar nas tarefas à minha frente enquanto meu coração ainda acelerava depois do encontro com o sr. Anderson. Mas quanto mais eu tentava ignorá-lo, mais difícil era não pensar nele. Era como se sua presença fosse uma espécie de força gravitacional que me puxava para ele.

Quando chegou a hora de sair do escritório, eu estava exausta e ansiosa para chegar em casa. Comecei a caminhar rapidamente pelo corredor quando ouvi alguém chamando meu nome. Virei-me e vi o sr. Anderson seguindo atrás de mim.

— Espere um pouco, Carla — disse ele, alcançando-me facilmente. — Eu não quis deixá-la tão desconfortável mais cedo.

Eu suspirei interiormente, sem saber como lidar com a situação. Não queria ser grosseira com meu novo chefe, mas também não podia deixar que suas perguntas pessoais me incomodassem tanto assim.

— Não se preocupe, sr. Anderson — respondi calmamente. — Eu apenas fiquei surpresa com suas perguntas, só isso.

Ele sorriu novamente e eu senti um aperto no meu peito. Aqueles olhos azuis eram hipnotizantes demais para o meu próprio bem.

— Cham me de Alex, por favor — disse ele, aproximando-se mais uma vez de mim. — E eu entendo que minhas perguntas foram um pouco diretas. Mas espero que possamos nos conhecer melhor enquanto trabalhamos juntos aqui na empresa.

Eu concordei relutantemente, sentindo-me cada vez mais atraída por sua presença. Havia algo em seu jeito confiante e seguro de si mesmo que me deixava tonta.

— Bem, eu preciso ir agora — eu disse finalmente, começando a caminhar novamente em direção à saída do escritório.

Ele acompanhou meus passos até o elevador e ficou ao meu lado enquanto esperávamos por ele chegar. Quando as portas se abriram, entramos juntos no pequeno compartimento e ficamos em silêncio enquanto descíamos os vários andares até o térreo.

Mas quando chegamos à porta do prédio, ele segurou meu braço suavemente antes que eu pudesse sair. Virei-me para encará-lo, surpresa com seu toque inesperado.

— Carla — começou ele, olhando intensamente nos meus olhos —, eu gostaria muito de conhecê-la melhor fora do trabalho também. Que tal sairmos para jantar amanhã à noite?

Fiquei paralisada por alguns segundos, sem saber como reagir à sua proposta tão ousada. Afinal de contas, ele era meu chefe agora e não deveria haver relacionamentos entre nós dois.

— Eu... eu não sei se isso é uma boa ideia — balbuciei finalmente, tentando encontrar uma maneira delicada de recusar seu convite.

Ele sorriu novamente e apertou minha mão na dele.

— Por favor, apenas pense sobre isso — pediu ele. — Eu realmente gostaria de conhecer você melhor, Carla. E quem sabe onde isso pode nos levar?

Com aquelas palavras, ele se virou e saiu do prédio sem esperar por uma resposta minha. Fiquei parada ali por alguns minutos, sentindo-me completamente desnorteada pelo que acabara de acontecer.

Será que eu deveria aceitar seu convite para jantar? Ou será que era melhor manter distância dele a partir de agora? Enquanto caminhava em direção ao metrô, não conseguia parar de pensar no sr. Anderson e nas possibilidades que ele havia despertado dentro de mim.

Enquanto caminhava em direção ao metrô, meu coração ainda acelerado pelo convite do sr. Anderson, meu celular tocou dentro da bolsa. Atendi sem nem mesmo verificar quem estava ligando, ainda perdida em pensamentos.

— Alô? — respondi automaticamente.

— Carla, é você? — A voz do outro lado era conhecida, mas não consegui identificar de imediato.

— Sim, quem está falando?

— Oi, querida! Aqui é a sua velha amiga, a Maria! — Era minha amiga mais antiga e confidente, que trabalhava em outra empresa na mesma região.

— Oi, Maria! Que surpresa ter notícias suas hoje! — disse, tentando disfarçar a agitação em minha voz.

— Fiquei sabendo que você tem um chefe novo no trabalho e que ele é um gato. Quer me contar mais sobre ele? — perguntou ela, sempre direta e curiosa.

— Well... — comecei, hesitante em compartilhar meu conflito interno sobre o sr. Anderson.

— Ah, qual é! Não seja tão certinha! Você sabe que não resiste a um homem bonito! — insistiu Maria, rindo do outro lado da linha.

Não consegui conter uma risada também. Ela tinha razão; sempre fui fraco quando se tratava de homens atraentes. Mas isso não significava que deveria me envolver com meu chefe.

— Tá bom, tá bom... Talvez eu te conte mais tarde — cedi finalmente. — Mas agora eu preciso mesmo ir. Acabei de sair do trabalho e já estou atrasada para o metrô.

— Tudo bem, querida! Vamos colocar o papo em dia logo, tá? Podemos tomar um drinque depois do trabalho um dia desta semana! — disse Maria antes de desligarmos o telefone.

Enquanto entrava no metrô, não pude deixar de pensar em como minha vida havia mudado tão rapidamente nos últimos dias. Tinha um novo chefe gostoso e confiante que me deixava sem palavras com suas perguntas diretas e convites para jantar fora do trabalho. E agora, minha melhor amiga queria saber todos os detalhes sobre ele.

Chegando em casa, tomei um longo banho quente para relaxar depois de tudo o que havia acontecido naquele dia. Enquanto me enrolava em uma toalha macia, lembrei-me novamente das palavras do sr. Anderson: "Eu realmente gostaria de conhecer você melhor, Carla. E quem sabe onde isso pode nos levar?"

Deitei-me na cama e peguei meu notebook para responder alguns e-mails acumulados durante o dia. Mas não consegui me concentrar no trabalho. Meus pensamentos continuavam voltando ao meu novo chefe e ao convite dele para sairmos juntos.

Decidi então procurar algumas informações sobre ele na internet, apenas pela curiosidade. Descobri que Alexander Anderson era um empresário de sucesso, com várias empresas bem-sucedidas em seu nome. Também havia diversas fotos dele em eventos sociais e corporativos, sempre acompanhado por belas mulheres. Isso não fez nada além de aumentar ainda mais minha dúvida sobre se deveria ou não aceitar seu convite para jantar.

No dia seguinte, acordei cedo e fui para o trabalho com um pouco mais de antecedência do que o habitual. Queria me preparar mentalmente para ver meu chefe novamente e tomar uma decisão quanto ao nosso possível encontro fora do escritório.

Quando cheguei à minha mesa, liguei meu computador e comecei a organizar minhas tarefas para o dia quando percebi que tinha uma mensagem do sr. Anderson em meu e-mail:

"Bom dia, Carla. Espero que você tenha passado uma boa noite de descanso. Quero lhe recordar sobre meu convite para sairmos juntos hoje à noite. Gostaria muito que você reconsiderasse sua resposta negativa anterior. Estou ansioso por conhecê-la melhor fora do trabalho também. Por favor, me diga se há algum lugar onde gostaria que eu viesse buscá-la após o trabalho."

Fiquei surpresa com a mensagem dele e comecei a pensar novamente sobre seu convite. Será que eu estava sendo muito precipitada em recusar logo de início? Afinal, não haveria nada de errado em sair apenas para jantar com meu chefe, certo?

Passei o dia inteiro tentando me decidir entre aceitar ou não o convite dele. Mas quando chegou a hora do fim do expediente, ainda não tinha tomado uma decisão definitiva. Enquanto caminhava até o elevador, percebi que o sr. Anderson estava ao lado de sua mesa, me observando com aqueles olhos azuis penetrantes.

— Boa noite, Carla — disse ele, sorrindo enquanto se aproximava de mim. — Espero que tenha passado um bom dia de trabalho hoje.

— Bom... bom dia também, sr. Anderson — respondi, meio sem jeito. — Sim, foi uma boa giornata de trabalho.

Ele continuou olhando para mim por alguns segundos antes de continuar:

— Bem, eu não posso mais esperar pela sua resposta sobre o nosso jantar hoje à noite. O que me diz agora?

Fiquei parada ali, olhando para ele e sabendo que tinha que tomar uma decisão naquele exato momento. E então, sem pensar demais no assunto, deixei escapar um pequeno "sim" antes de poder me arrepender.

O sorriso do sr. Anderson se alargou ainda mais ao ouvir minha resposta afirmativa. Ele agarrou minha mão suavemente em sua mão e disse:

— Isso é ótimo! Estou muito animado para nosso jantar juntos hoje à noite, Carla. Deixe-me apenas pegar meu casaco e então podemos sair daqui.

Enquanto esperávamos pelo elevador, não pude evitar sentir uma onda de ansiedade crescendo dentro de mim. O que estava fazendo? Iria realmente sair para jantar com meu chefe gostoso e confiante?

Mas, ao mesmo tempo, havia algo nele que me atraía cada vez mais. E enquanto caminhávamos até o carro dele no estacionamento, percebi que não havia mais volta: eu ia conhecer melhor Alexander Anderson fora do trabalho, fosse lá onde isso poderia nos levar.