Toda semana no mesmo parque às seis da manhã, até deixar de ser sobre a corrida
Era só um grupo de corrida. Eu precisava de um hobby, ele precisava de ritmo. Três meses de sábados às seis da manhã e eu percebi que a última coisa que eu queria era que aquilo fosse só sobre correr.
Eu nunca fui uma pessoa muito ativa. Minha vida sempre girou em torno do trabalho e de mais nada além disso. Mas isso mudou quando conheci ele. Eu não sei bem como aconteceu, mas um dia acordei e percebi que tinha uma vontade louca de fazer alguma coisa além de trabalhar. Foi então que decidi procurar um grupo de corrida.
A primeira vez que fui ao parque às seis da manhã, estava tudo quieto e silencioso. Apenas alguns pássaros acordavam com o sol ainda escondido atrás das árvores. Mas logo chegaram os outros corredores. Eram em sua maioria homens e mulheres de idade avançada, mas havia também alguns mais jovens como eu.
Ele chegou alguns minutos atrasado. Eu não sabia seu nome ainda, mas já tinha reparado nele nas semanas anteriores. Era alto, musculoso e tinha uma tatuagem de uma águia voando em suas costas. Quando corria, seus músculos se moviam com uma graça que eu nunca tinha visto antes em um homem.
Nós começamos a correr juntos sem nem perceber. Ele era mais rápido do que eu, mas não se importava em esperar por mim quando eu ficava para trás. Isso tornou tudo ainda mais difícil para mim, pois cada semana que passava, eu sentia meu coração acelerar não só pela corrida, mas também pela presença dele.
Começamos a conversar enquanto corríamos. Descobri que ele era engenheiro e morava sozinho em um apartamento perto do parque. Ele me contou sobre sua paixão por correr e como isso o ajudava a lidar com os estresses do trabalho. Eu lhe contei sobre meu emprego como assistente administrativo e minha vida solitária em um pequeno estúdio.
Quanto mais conversávamos, mais eu queria conhecê-lo melhor. Comecei a sonhar com ele à noite, imaginando suas mãos tocando meu corpo e seus lábios beijando os meus. Mas eu não podia fazer nada além de sonhar, pois sabia que estava proibido ter qualquer tipo de relacionamento com ele.
Cada sábado era uma tortura para mim. Eu acordava cedo demais, me sentindo nervoso e excitado. Corria com ele no parque e depois ia embora sozinho para tomar banho e tentar dormir um pouco mais. Mas meu corpo não queria cooperar. Ele estava sempre acordado e pronto para mais.
Um dia, depois de uma corrida especialmente difícil, eu percebi que não aguentava mais. Precisava fazer alguma coisa a respeito dos meus sentimentos antes que eles me consumissem por completo. Assim, quando terminamos a corrida e nos sentamos em um banco para recuperar o fôlego, eu tomei coragem e lhe fiz uma pergunta:
"Você quer tomar café da manhã comigo algum dia?"
Ele me olhou surpreso, mas depois sorriu e disse: "Claro, adoraria."
Na semana seguinte, eu estava ansioso enquanto esperava por ele em uma pequena cafeteria perto do parque. Ele chegou alguns minutos atrasado, com seu cabelo molhado e sua roupa de corrida ainda úmida. Eu tinha escolhido um lugar mais tranquilo dessa vez, onde poderíamos conversar sem o barulho das outras pessoas ao nosso redor. Depois que pedimos nossos cafés e sentamos à mesa, ele sorriu para mim e disse: "Então, você me fez esperar uma semana inteira por esse café da manhã."
Eu ri nervosamente e respondi: "Bom, não era exatamente um café da manhã. Eu só queria ter a chance de conversar com você fora do parque."
Ele levantou as sobrancelhas e perguntou: "E sobre o que você quer conversar comigo?"
Eu tomei um gole do meu café para ganhar tempo enquanto pensava em como responder. "Bem, eu realmente gostei de correr com você", comecei. "Mas também acho que estamos nos tornando amigos e eu queria saber mais sobre você."
Ele sorriu novamente e começou a contar histórias sobre sua infância e seus sonhos enquanto crescia. Fiquei ouvindo atentamente, fascinado por cada palavra que saía de sua boca. Nós conversamos por horas sobre tudo e nada ao mesmo tempo, rindo e compartilhando experiências até que finalmente percebemos que já tinha passado muito tempo desde que tínhamos chegado à cafeteria.
Quando começamos a nos despedir, eu tomei coragem e perguntei se ele gostaria de fazer algo juntos outra vez. Ele sorriu e disse: "Sim, gostei muito de hoje. Podemos marcar outro café da manhã na semana que vem, se quiser."
Eu concordei com um grande sorriso no rosto enquanto ele saía da cafeteria. Enquanto eu terminava meu café sozinho, percebi que estava me apaixonando por aquele homem que tinha conhecido em uma simples corrida no parque. E agora, graças ao nosso encontro dessa manhã, eu não só tinha encontrado alguém com quem pudesse correr e conversar, mas também alguém com quem poderia ter algo mais.
Mas ainda havia um problema: nosso relacionamento precisava ser mantido em segredo. Afinal, éramos parte do mesmo grupo de corrida e não queríamos que ninguém soubesse sobre nossos sentimentos mútuos ainda. Mas eu estava disposto a enfrentar qualquer desafio para estar com ele, mesmo que isso significasse ter que nos encontrar às escondidas durante nossas corridas matinais.
Na semana seguinte, quando saímos do parque após mais uma corrida emocionante, eu não pude resistir ao desejo de tocá-lo. Quando estávamos sozinhos atrás de uma árvore, eu peguei sua mão e disse: "Eu não aguento mais fingir que não sinto nada por você."
Ele olhou ao redor para ter certeza de que ninguém estava nos observando antes de segurar minha mão com força e responder: "Eu também não aguento mais. Quero te beijar agora mesmo, mas temos que esperar até estarmos em um lugar seguro."
Eu sorri e apertei sua mão de volta antes de irmos embora separados para não chamar atenção. Mas enquanto eu ia embora, sabia que logo encontraríamos uma maneira de ficar juntos em segredo. E assim começou nossa relação clandestina no parque às seis da manhã toda semana, até deixar de ser só sobre a corrida.
À medida que os dias passavam, nós dois ficávamos cada vez mais ansiosos para nossos encontros secretos no parque. Correr juntos se tornou uma desculpa para estarmos perto um do outro e aproveitar aqueles poucos momentos a sós antes de ter que nos separar novamente.
Em uma manhã particularmente fria, enquanto corríamos lado a lado, eu percebi que estava ficando cada vez mais difícil resistir à tentação de tocá-lo. Quando paramos em uma árvore para fazer uma pausa, eu não consegui mais me conter e tomei sua mão na minha. Ele olhou para mim com surpresa, mas não afastou a mão. Em vez disso, ele sorriu e sussurrou: "Eu também queria te tocar hoje."
Nós dois sabíamos que tínhamos que ter cuidado para não sermos pegos por alguém do grupo de corrida, então nos certificávamos de sempre encontrar um lugar escondido atrás das árvores ou próximo ao lago onde ninguém pudesse nos ver. Mesmo assim, às vezes parecia que o risco valia a pena só pelo prazer de estar perto dele.
Um dia, depois de uma longa corrida, nós decidimos sentar em uma pedra perto do lago para descansar e recuperar o fôlego. Enquanto estávamos lá, ele começou a me contar sobre sua vida fora do parque e eu fiz o mesmo. Conversamos sobre nossos trabalhos, famílias e sonhos enquanto observávamos os pássaros voando acima de nós.
Eu nunca tinha me sentido tão à vontade com alguém antes e percebi que estava realmente me apaixonando por ele. E pela maneira como ele olhava para mim, eu sabia que ele sentia o mesmo.
Mas mesmo assim, ainda havia o problema do nosso relacionamento secreto. Nós não podíamos simplesmente sair abraçados pelo parque como um casal normal, então tínhamos que nos contentar com nossas conversas secretas e toque roubado atrás das árvores.
Até que finalmente chegou o dia em que não aguentamos mais fingir. Durante uma corrida particularmente difícil, nós dois começamos a caminhar lado a lado para recuperar o fôlego e ele parou de repente e me puxou para trás de uma árvore grande. Antes mesmo que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele estava pressionando seus lábios contra os meus em um beijo apaixonado.
Quando finalmente nos separamos, eu estava ofegante e com o coração acelerado. "Eu não posso mais fazer isso", disse ele com a voz trêmula. "Eu te amo demais para continuar fingindo que não estamos juntos."
Eu sorri e apertei sua mão na minha enquanto respondia: "Eu também te amo e concordo completamente. Vamos contar ao grupo sobre nós hoje mesmo."
Depois de decidirmos contar ao grupo sobre nosso relacionamento, nós dois sentimos uma mistura de nervosismo e alívio. Finalmente iríamos poder viver abertamente nossa paixão, sem ter que nos esconder atrás das árvores ou ao redor do lago. Enquanto caminhávamos de volta para o ponto de encontro onde todos estavam reunidos, eu não podia deixar de perceber como a mão dele estava suada na minha. Mas havia uma determinação em seu olhar que me fez sentir seguro de que estávamos fazendo a coisa certa.
Quando chegamos ao grupo, nos aproximamos do líder da corrida e pedimos para fazer um anúncio importante. Todos se viraram para nós com curiosidade enquanto eu respirava fundo e começava a falar: "Olá a todos, gostaríamos de compartilhar algo conosco hoje. Nós dois estamos namorando há algum tempo agora e achamos que era hora de contar para vocês." Houve um silêncio momentâneo antes de as pessoas começarem a aplaudir e nos parabenizar. Fiquei surpreso com o apoio e carinho do grupo, já que tínhamos medo de eles não aceitarem nosso relacionamento.
Depois da corrida, decidimos ir tomar café juntos em uma cafeteria próxima ao parque. Enquanto esperávamos nossa bebida, ele segurou minha mão sobre a mesa e sorriu para mim. "Estou tão feliz por termos contado aos outros", disse ele. "Agora podemos curtir nosso tempo juntos sem ter que nos esconder." Concordei com ele enquanto beijava sua mão suavemente. Quando o barista entregou nossas bebidas, pedimos uma torta de maçã para compartilhar também.
Conversamos sobre como gostaríamos de passar mais tempo juntos fora do parque, talvez algum dia durante a semana ou até mesmo planejar um fim de semana fora juntos. Havia tanto que queríamos explorar e experimentar, agora que não tínhávamos mais segredos entre nós. Enquanto eu dava uma mordida na torta deliciosa, percebi que ainda havia algo que eu queria fazer com ele ali mesmo naquela cafeteria. Eu me inclinei sobre a mesa e o beijei suavemente nos lábios, sorrindo depois enquanto dizia: "Agora isso é ainda mais doce." Ele riu e pegou minha mão novamente, sabendo que nosso amor estava apenas começando a florescer agora que não havia mais barreiras no caminho.