A mensagem que eu enviei para o número errado — e era o dela

Dois anos sem se falar, um número que eu achei que tinha deletado e uma mensagem enviada às 23h de uma terça-feira qualquer. Ela respondeu. E aí a gente ficou até amanhecer conversando como se esses dois anos não tivessem existido.

Era uma terça-feira qualquer quando decidi enviar uma mensagem para o número de celular que eu tinha achado guardado nas minhas antigas conversas do WhatsApp. Eu não lembrava quem era a dona daquele número, mas imaginei que devia ser alguém com quem eu tivesse perdido o contato há muito tempo. Talvez fosse até algum número antigo da minha mãe ou do meu pai.

Eu estava entediado em casa, sem nada para fazer além de mexer no celular e recordar os velhos tempos. A pandemia tinha me deixado de quarentena forçada havia alguns meses, e eu já não aguentava mais ficar preso dentro de casa. Minha rotina de trabalho tinha mudado completamente, e eu passava boa parte do meu tempo livre navegando pela internet em busca de alguma distração.

Mas naquela noite, enquanto vasculhava meu celular à procura de algo interessante para fazer, deparei-me com aquele número desconhecido e decidi enviar uma mensagem para ver se ainda estava ativo. Digitei um texto rápido e enviei sem pensar muito no que estava fazendo.

Alguns minutos depois, comecei a Receive uma resposta. Fiquei surpreso ao perceber que alguém ainda estava usando aquele número antigo e, mais ainda, quando vi quem era: ela era uma ex-namorada minha com quem eu não tinha mais contato havia quase dois anos. Nós tínhamos nos conhecido na faculdade e namorado por alguns meses antes de tudo acabar em um rompimento doloroso.

Eu não esperava que ela respondesse à minha mensagem, muito menos que começássemos a conversar como se esses dois anos não tivessem existido. Mas foi exactly o que aconteceu: após algumas mensagens hesitantes, começamos a recordar os velhos tempos e, pouco a pouco, fomos nos aproximando novamente.

Ela me contou sobre a sua vida nos últimos dois anos - como tinha mudado de emprego, se mudado para uma nova casa e até mesmo encontrado alguém novo. Eu também lhe contei tudo o que tinha acontecido comigo desde a última vez em que tínhamos falado: meu trabalho havia mudado, eu tinha viajado para alguns lugares novos e até mesmo começado a pensar em fazer uma pós-graduação.

Conversamos sobre tudo e nada ao mesmo tempo, como se estivéssemos apenas passando o tempo juntos. Mas quanto mais falávamos, mais eu percebia que ainda sentia algo por ela - alguma coisa além da amizade ou da nostalgia pelo nosso antigo relacionamento. Era como se tivéssemos deixado algumas coisas inacabadas no passado e agora estivéssemos finalmente tendo a chance de resolvê-las.

E assim, nós continuamos conversando até tarde da noite, compartilhando nossas vidas e recordando os velhos tempos. Ela me contou que ainda pensava em mim às vezes, mesmo depois de tanto tempo, e eu admiti que sentia o mesmo. Foi uma sensação incrível saber que ela também ainda tinha sentimentos por mim, mesmo depois de tudo o que tínhamos passado.

Finalmente, quando já estava quase amanhecendo, decidimos nos encontrar pessoalmente. Ficamos combinando um lugar e uma hora enquanto conversávamos pelo WhatsApp, até que finalmente concordamos em nos encontramos no parque perto da casa dela no dia seguinte à tarde.

Cheguei lá antes do horário marcado e fiquei esperando ansiosamente por ela, lembrando-me de como tínhamos sido felizes juntos no passado. Quando ela apareceu, não consegui deixar de sorrir ao vê-la depois de tanto tempo. Ela estava ainda mais linda do que eu lembrava, com o cabelo castanho-claro caindo em cascata pelos ombros e os olhos verdes brilhando sob a luz do sol.

Conversamos enquanto caminhávamos pelo parque, recordando os velhos tempos e compartilhando nossas vidas novamente. Ela me contou mais detalhes sobre sua nova vida, e eu lhe contei tudo o que tinha acontecido comigo desde o último

Eu lhe ofereci meu braço e ela o segurou enquanto caminhávamos pelo parque. O sol estava começando a se pôr atrás das árvores, banhando tudo com uma luz dourada. Ela parou de repente e virou-se para mim, seus olhos brilhando intensamente.

"Eu não acredito que estamos realmente fazendo isso", ela disse, sorrindo. "Depois de tanto tempo..."

Eu sorri de volta, sentindo meu coração bater mais rápido. "Eu também não acredito. Mas é gostoso, não é?"

Ela assentiu, ainda sorrindo. "Sim, é muito gostoso."

Ficamos em silêncio por alguns instantes, apenas absorvendo a presença um do outro. Depois ela falou novamente:

"Sabe, quando você me mandou aquela mensagem, eu fiquei tão surpresa. Eu não esperava que você fosse querer conversar depois de tudo o que aconteceu entre nós."

Eu suspirei fundo. "Eu também não esperava que isso fosse acontecer. Mas quando vi o número dela na tela do meu celular, algo dentro de mim mudou. Foi como se uma voz tivesse me dito 'envia a mensagem, você vai se arrepender se não enviar'. E então eu fiz."

Ela riu baixinho. "Bom, então obrigada pela voz que te fez me mandar aquela mensagem. Porque senão, eu nunca teria voltado a conversar com você depois de tanto tempo."

Eu ri também, sentindo-me mais relaxado agora. "Sim, imagino que não. Mas fico feliz por ter acontecido assim. E agora estamos aqui, caminhando pelo parque como se nada tivesse mudado entre nós."

Ela olhou para mim e seu sorriso ficou ainda mais aberto. "É engraçado como as coisas podem mudar tão rápido, não é? Quer dizer, ontem mesmo eu nem imaginava que hoje iria passear com você no parque. E agora estamos aqui, conversando sobre o passado e o presente, como se fôssemos velhos amigos."

Eu concordei com ela. "Sim, a vida é cheia de surpresas. E às vezes essas surpresas nos levam para lugares onde não esperávamos ir."

Ela continuou sorrindo enquanto caminhávamos pelo parque, e eu não pude evitar pensar em como era gostoso estar ali com ela novamente, depois de tanto tempo separados. Era como se o destino tivesse conspirado para nos fazer encontrar novamente, mesmo que só por alguns momentos.

E então, quando estávamos quase chegando ao fim do parque, ela parou de novo e se virou para mim. "Você quer ir embora agora?" ela perguntou, com uma expressão séria no rosto.

Eu olhei para ela e percebi que não estava pronto para nos despedirmos tão cedo. "Não, ainda não", respondi, sorrindo também. "Vamos fazer uma coisa: o que acha de continuarmos caminhando por aqui mais um pouco? E quem sabe a gente não encontra algum lugar onde possa tomar um café ou algo assim?"

Ela sorriu de volta e concordou com minha proposta. "Sim, isso seria legal", ela disse enquanto retomávamos nosso caminho pelo parque.

Fiquei feliz por ter sugerido continuarmos caminhando juntos porque, embora eu soubesse que tínhamos uma história complicada atrás de nós, também sabia que havia algo especial entre nós dois - alguma coisa que ainda não tinha sido completamente explorada. E agora, enquanto caminhávávamos lado a lado pelo parque, eu estava ansioso para ver onde essa nova etapa do nosso relacionamento iria nos levar.

Continuamos caminhando pelo parque, as folhas das árvores acima de nós farfalhavam com a brisa suave do final da tarde. Ela me olhou de lado, com um sorriso brincalhão nos lábios.

"Sabe", ela começou a dizer, "eu nunca imaginei que você fosse tão... romântico".

Eu ri, surpreso. "Romântico? Eu?"

Ela riu também, balançando a cabeça. "Sim, você! A caminhada pelo parque, o convite para tomar café... isso tudo é muito romântico."

Sentindo-me um pouco envergonhado, sorri e respondi: "Bem, eu posso ser surpreendentemente romântico quando quero alguma coisa de verdade".

Ela arqueou uma sobrancelha, parada na minha frente. "Ah, é? E o que você quer agora?"

Eu olhei em seus olhos verdes, sentindo meu coração bater um pouco mais rápido. "Eu não sei bem como explicar", comecei a dizer, procurando pelas palavras certas. "É meio difícil de definir, sabe? É como se eu tivesse uma sensação dentro de mim, algo que me diz que ainda não acabou entre nós dois".

Ela ficou em silêncio por alguns segundos, apenas olhando para mim enquanto pensava no que eu tinha acabado de dizer. Depois, ela deu um passo à frente e pegou minha mão na dela.

"Eu também sinto isso", confessou ela, com uma voz suave. "E sabe de uma coisa? Acho que não precisamos nos apressar em colocar um rótulo nisso tudo. Podemos apenas deixar as coisas acontecerem naturalmente, certo?"

Concordando com ela, sorri e apertei sua mão na minha. Começamos a caminhar novamente pelo parque, agora mais próximos um do outro do que antes. Enquanto íamos em direção ao café que eu tinha visto mais à frente, não pude evitar sentir uma sensação de alívio por ter finalmente encontrado alguém que entendesse meu coração tão bem quanto ela parecia fazer.

Chegamos ao café e nos sentamos numa mesa perto da janela, onde podíamos ver as pessoas passando pelo parque. Conversamos sobre tudo e nada enquanto saboreávamos nossas bebidas quentes e algumas guloseimas que tínhamos pedido. A cada palavra que ela dizia, eu sentia como se estivesse descobrindo algo novo e interessante a respeito dela - mesmo depois de todos esses anos desde a última vez em que tínhamos nos visto.

Quando começava a escurecer lá fora, percebi que estava ficando tarde demais para irmos embora logo. Olhei para ela enquanto tomávamos o último gole de café e perguntei: "E agora? Quer ir embora ou...?"

Ela sorriu e disse: "Eu não quero ir embora ainda, se você não quiser também". Ela fez uma pausa breve antes de continuar: "Mas também não acho que seja apropriado irmos para algum lugar mais privado tão cedo, depois de tudo o que aconteceu hoje".

Concordando com ela, respondi: "Entendo perfeitamente. E sabe do que eu gostaria? De fazer isso direito desta vez. Não queremos nos precipitar em nada, certo?"

Ela assentiu e disse: "Sim, você tem toda a razão. Então... o que sugere então? Quer dizer, para fazermos as coisas direito?"

Pensei por alguns segundos antes de responder: "Bom, primeiro podemos marcar outra caminhada pelo parque - quem sabe no fim de semana que vem? E depois disso, podemos pensar em algum outro lugar onde possamos passar mais tempo juntos sem pressões".

Ela sorriu, animada com a ideia. "Eu gostaria muito disso", ela disse enquanto se levantava da mesa e colocava seu casaco.

Eu fiz o mesmo e depois lhe ofereci meu braço para irmos embora juntos. Enquanto caminhávamos de volta para o ponto onde tínhamos nos encontrado horas antes, senti como se uma nova porta tivesse sido aberta para nós dois - uma porta que poderia nos levar a lugares incríveis juntos. E embora ainda houvesse muito que não sabíamos um sobre o outro depois de tantos anos separados, eu estava ansioso para descobrirmos tudo aos poucos, passo a passo.

E assim, com um aperto de mão e um sorriso doce no rosto dela, nos separamos naquele dia - mas só até a próxima caminhada pelo parque. E enquanto eu observava sua figura desaparecer na multidão, não pude evitar sentir uma onda de esperança e alegria dentro de mim. Afinal, era isso o que a vida era feita: desses pequenos momentos que poderiam se transformar em grandes coisas com o tempo.

E é claro, também era feita daquelas mensagens que enviamos para o número errado - porque às vezes, pode ser exatamente onde encontrarmos nosso caminho de volta ao coração de alguém.