Toda quinta-feira, a mesma farmácia, o mesmo horário
Não era um café, não era um bar — era a farmácia do bairro, toda quinta às dezoito horas. Eles se cumprimentavam sem saber o nome um do outro. Até o dia em que a atendente chamou o nome dele errado e ela corrigiu sem pensar, porque havia decorado.
Toda quinta-feira, sem falta, eu ia à farmácia do bairro. Era a única da região que ficava aberta até às nove da noite, o que me dava tempo suficiente para fazer minhas compras após o trabalho. Não era um café, não era um bar — era a farmácia, meu refúgio semanal.
Eu não sabia o nome do homem que sempre encontrava lá. Achemos que ele era alto, tinha os cabelos escuros e os olhos verdes como o mar. Usava um terno azul-marinho que lhe caía perfeitamente bem, e sempre carregava uma pasta de couro preta na mão esquerda. Não trocávamos nenhuma palavra além dos cumprimentos de rotina, e isso não parecia incomodar nenhum de nós.
Até o dia em que a atendente, uma moça simpática de cabelo curto e óculos redondos, chamou o nome dele errado. "Sr. Silva", ela disse alto demais. Eu estava atrás dele na fila, e quando ele não respondeu, eu não pude evitar.
"Não, é Marcelo", eu disse, automaticamente. A atendente corou e se desculpou, enquanto ele se virou para mim, surpreso.
"Obrigado", ele falou, sorrindo. "Eu não sabia que tinha um fã-clube aqui."
Eu só dei de ombros, sorrindo de volta. "Eu ouço as coisas", respondi, sem querer entrar em detalhes. Ele voltou-se para a atendente, que já havia encontrado seu nome na lista e lhe entregava o remédio.
Depois disso, as coisas mudaram um pouco. Começamos a conversar enquanto esperávamos na fila, sobre amenidades, nada demais. Mas eu começava a esperá-lo ansiosamente todas as quintas-feiras, e isso me deixava inquieta. Não era apenas o fato de que eu conhecia seu nome agora — era o jeito como ele sorria quando me via, como se eu fosse uma visão agradável em meio à monotonia da farmácia.
Um dia, enquanto conversávávamos sobre música, eu percebi que estava me aproximando dele, tão perto que podia sentir o cheiro de seu perfume. Era algo fresco e cítrico, como uma manhã de sol depois de uma chuva forte. Ele também se aproximou, e eu podia sentir sua respiração em meu pescoço, quente e regular.
"Eu gostaria de saber mais sobre você", ele disse baixinho, quase como se fosse uma confissão. Eu me virei para olhá-lo, e seus olhos estavam tão próximos dos meus que eu podia ver as piccolezinhas douradas neles.
"Eu também gostaria", respondi, e antes que eu pudesse pensar no que estava fazendo, eu me inclinei e o beijei. Ele não hesitou, envolvendo-me em seus braços e aprofundando o beijo. Era como se estivéssemos famintos um pelo outro, como se tivesse passado anos desde a última vez que tínhamos nos tocado.
Quando nos separamos, estávamos ambos ofegantes. A atendente tinha ido para os fundos da farmácia, provavelmente para dar-nos algum espaço. Eu olhei para Marcelo, e ele sorriu para mim.
"Agora eu sei que você é real", ele disse, rindo baixinho. Eu ri também, sentindo-me mais leve do que nunca.
Depois disso, as coisas mudaram mais uma vez. Começamos a marcar encontros fora da farmácia, embora ainda gostássemos de nos encontrar lá toda quinta-feira. Era como se fosse nosso lugar especial, onde tudo começou. E eu não trocaria isso por nada no mundo.
Um dia, enquanto estávamos na fila, eu percebi que estava grávida. Eu não tinha dúvidas de quem era o pai — era ele, o homem que eu encontrava todas as quintas-feiras na farmácia do bairro. Eu não sabia como ele ia reagir, mas eu tinha que contar para ele.
Eu esperei até que estivéssemos sozinhos na fila, e então eu lhe contei. Ele ficou em silêncio por um momento, e então sorriu para mim.
"Isso é... incrível", ele disse, me abraçando fortemente. "Eu não poderia estar mais feliz."
Eu sorri de volta, sentindo-me aliviada. Eu não tinha certeza do que iria acontecer agora, mas eu sabia que nós iríamos enfrentar juntos. Afinal, era isso o que fazíamos todas as quintas-feiras, não era? Nós nos encontrávamos na farmácia, e juntos, nós construíamos algo novo e incrível. Algo que eu nunca iria esquecer.
Marcelo continuou abraçado comigo por alguns segundos, antes de se afastar um pouco. "Eu preciso contar uma coisa também", ele disse, parecendo um pouco nervoso. "Eu tenho sentido que as coisas entre nós estão ficando cada vez mais sérias, e eu não quero que você pense que eu não estou levando isso a sério. Eu amo você, e eu quero que saibamos juntos o que vai acontecer com essa criança. Eu gostaria de pensar em algumas opções para nós, como casamento, por exemplo. Eu sei que pode parecer precipitado, mas eu não quero esperar mais tempo para tornar isso oficial." Eu fiquei surpresa com a declaração de Marcelo. Eu não esperava que ele fosse tão sério sobre nosso relacionamento, e muito menos que ele fosse mencionar casamento. Mas eu percebi que eu também o amava, e que eu queria passar o resto da minha vida com ele. "Eu também te amo", eu disse, sorrindo para ele. "E eu acho que casamento seria uma ótima ideia. Nós podemos pensar sobre isso juntos e tomar uma decisão em conjunto." Marcelo sorriu de volta, parecendo aliviado. "Eu estava tão nervoso para te contar isso", ele disse. "Eu não sabia se você estava pronta para esse tipo de compromisso." "Eu estava pronta", eu respondi, beijando-o suavemente nos lábios. "Eu estava pronta desde o primeiro dia em que te vi na farmácia." A partir desse dia, começamos a planejar nosso futuro juntos. Nós começamos a conversar sobre nomes para o bebê, sobre onde gostaríamos de morar, sobre como gostaríamos de decorar nosso lar. Era como se tudo estivesse finalmente se encaixando, e eu nunca tinha me sentido tão feliz em minha vida. Um dia, enquanto estávamos escolhendo um novo perfume na seção de cosméticos da farmácia, Marcelo me pediu em casamento. Ele ajoelhou-se diante de mim e abriu uma caixinha com um anel de ouro com um pequeno diamante brilhando no centro. "Eu não sei onde estaria sem você", ele disse, olhando para mim com tanto amor nos olhos. "Você me tornou a pessoa mais feliz do mundo, e eu quero passar o resto da minha vida ao seu lado. Quer se casar comigo?" Eu não consegui conter as lágrimas que começaram a escorrer pelo meu rosto. "Sim, eu quero me casar com você", eu disse, sorrindo através das lágrimas. Ele colocou o anel em meu dedo e me beijou, enquanto os clientes da farmácia aplaudiam ao nosso redor. A partir desse dia, nossa vida mudou completamente. Nós começamos a planejar nosso casamento, enquanto também preparávamos tudo para a chegada do bebê. Era como se estivéssemos vivendo em um sonho, e eu não queria que aquilo acabasse nunca. Mas enquanto eu estava sentada na cadeira do obstetra, ouvindo o som do coração do nosso bebê batendo forte, eu percebi que não era um sonho.
Enquanto eu estava sentada na cadeira do obstetra, ouvindo o som do coração do nosso bebê batendo forte, eu percebi que não era um sonho. Era a realidade mais linda que eu poderia ter imaginado. Marcelo segurou minha mão com força, enquanto olhávamos para a tela do ultrassom, maravilhados com a imagem do nosso filho.
"Vamos ter que começar a pensar em nomes", eu disse, sorrindo para Marcelo. "Temos alguns meses para decidir, mas eu já posso começar a fazer uma lista."
"Eu já tenho algumas ideias", Marcelo respondeu, ainda olhando para a tela. "O que você acha de 'Gabriel' se for menino? E 'Isabel' se for menina?"
"Eu gostei", eu disse, gostando da forma como os nomes soavam quando ele os pronunciava. "Podemos acrescentá-los à nossa lista e pensar mais sobre eles nos próximos dias."
Depois da consulta, voltamos para casa conversando animadamente sobre o bebê e sobre o futuro. Enquanto eu estava cozinhando o jantar, Marcelo recebeu uma ligação do trabalho. Ele começou a conversar em voz baixa, enquanto eu ouvava distraída, até que algo chamou minha atenção.
"O que você disse?" eu perguntei, assim que ele desligou o telefone.
"Era meu chefe", Marcelo disse, sorrindo para mim. "Ele me ofereceu uma promoção. Uma posição em uma nova filial da empresa, em uma cidade do interior."
"Isso é ótimo, não é?" eu perguntei, feliz por ele, mas também preocupada com as implicações disso para nós.
"Sim, é uma ótima oportunidade", Marcelo disse, sentando-se à mesa da cozinha enquanto eu servia o jantar. "Mas isso significa que teríamos que nos mudar. E eu não sei se você vai querer deixar a cidade, especialmente agora, com o bebê a caminho."
"Eu não quero te segurar", eu disse, sentando-me à mesa com ele. "Se essa é uma boa oportunidade para você, então acho que devemos considerá-la. Podemos encontrar uma forma de fazer dar certo."
"Eu não gostaria de te perder de vista", Marcelo disse, segurando minha mão. "Eu não gostaria de ter que passar tanto tempo longe de você e do bebê. Queria que pudéssemos encontrar uma solução melhor."