Pousada na serra, julho frio e a única mesa aquecida — que acabamos dividindo

A pousada estava quase vazia. Fomos os únicos no jantar no horário certo. A mesa perto da lareira era a única quente no salão — e a única opção. A gente ficou lá até o fogo acabar e alguém precisar decidir o que vinha depois.

Eu sempre gostei da solidão das serras durante o inverno. O frio cortante, a neblina que envolvia tudo como um manto, a sensação de que éramos as únicas pessoas no mundo... Era viciante. Foi por isso que escolhi passar minhas férias nessa pequena pousada no meio da mata, onde tudo era silêncio e tranquilidade.

Mas, ao chegar lá, fui surpreendido pelo frio que fazia dentro do lugar. A lareira estava acesa na sala de jantar, mas o calor não parecia alcançar os cantos mais afastados. Resolvi me sentar perto do fogo, numa mesa para dois que ficava bem em frente à lareira. Pelo menos ali eu não ia passar frio.

O jantar foi servido logo após minha chegada e, enquanto eu comia, fui percebendo que era o único hóspede da pousada. Ou quase isso. Uma mulher apareceu na sala de jantar pouco depois de mim e também se sentou perto do fogo. Ela estava envolta num casaco vermelho bem quente e tinha um cachecol branco em volta do pescoço. Os cabelos escuros caíam sobre os ombros, enquanto ela olhava ao redor com uma expressão curiosa.

Fiquei meio sem jeito quando ela se aproximou da minha mesa e fez menção de sentar-se lá também. Mas logo percebi que não havia outras opções no salão iluminado apenas pela luz das velas. Ela sorriu para mim, desculpando-se pelo incômodo, e eu só pude sorrir de volta.

Conversamos enquanto jantávamos. Ela era uma escritora que estava fazendo uma pesquisa sobre o isolamento nas montanhas e tinha vindo passar alguns dias na pousada para se inspirar. Eu falei sobre meu trabalho como fotógrafo e minha paixão por registrar a natureza selvagem durante o inverno. Foi uma conversa agradável, que me fez esquecer do frio e da solidão daquela noite.

Quando terminamos de jantar, ficamos ali mesmo, perto da lareira, tomando vinho e aproveitando o pouco calor que ainda havia no salão. A conversa fluía facilmente entre nós, enquanto a neve começava a cair lá fora. O silêncio era quase completo, quebrado apenas pelo estalar das chamas na lareira.

Mas logo o fogo começou a diminuir e o frio começou a tomar conta do salão novamente. Ela abraçou o próprio corpo para se aquecer, enquanto eu me aproximava mais dela, buscando compartilhar um pouco de meu calor com ela também. Ela sorriu agradecida e apoiou a cabeça em meu ombro, enquanto continuávamos a conversar.

Foi então que percebi que estávamos sozinhos ali, no meio daquela imensa montanha coberta de neve. A pousada estava deserta e não havia ninguém para nos perturbar. Era como se o mundo lá fora tivesse desaparecido e só existisse aquele momento entre nós dois.

Eu me virei para ela e a beijei intensamente, sentindo seu corpo tremer de desejo contra o meu. Ela correspondeu ao beijo com toda a paixão que havia dentro dela, enquanto suas mãos começavam a explorar meu corpo por baixo da camisa. Eu podia sentir seu coração batendo cada vez mais rápido, enquanto ela me puxava para mais perto dela.

Levantei-me e a levei para o meu quarto, onde já estava acesa uma lareira pequena, mas suficiente para nos aquecer. Lá, tiramos nossas roupas com pressa e nos jogamos na cama, envolvidos pelo calor das chamas e pela paixão que estava crescendo entre nós.

Ela era linda, com curvas bem definidas e pele macia como seda. Suas pernas longas envolviam minha cintura enquanto eu beijava cada pedacinho de seu corpo, desde os lábios até os pés. Ela gemia baixinho, entregando-se completamente ao momento, enquanto eu a acariciava e a provava com desejo.

Logo ela estava pronta para me receber dentro dela e eu não aguentei mais esperar. Comecei a me mover sobre ela, sentindo seu corpo se adaptar ao meu ritmo. Ela acompanhava cada movimento meu com perfeição, enquanto suas mãos corriam pelas minhas costas, arranhando-me de leve com as unhas.

Nossas respirações ficavam cada vez mais ofegantes à medida que o prazer aumentava entre nós. Eu podia sentir o coração dela batendo ao mesmo ritmo do meu, enquanto nos perdíamos naquele momento tão intenso e cheio de desejo.

Quando finalmente atingimos o clímax juntos, ela gritou alto meu nome e eu me senti como se tivesse alcançado o céu. Ficamos ali, abraçados, até que nossas respirações voltassem ao normal e o calor da lareira nos fizesse dormir profundamente.

No dia seguinte, acordamos tarde e ficamos na cama ainda por um bom tempo, aproveitando o pouco de calor que ainda tínhamos antes de sairmos para enfrentar mais um dia frio nas montanhas. Ela voltou para sua pesquisa e eu continuei a explorar a região com minha câmera, mas sempre encontrávamos um momento para nos reunirmos perto da lareira e compartilharmos nosso calor.

Foi uma semana intensa, cheia de descobertas e aventuras, que nunca mais vou esquecer. E não apenas porque foi uma das viagens mais frias da minha vida, mas também porque foi lá que conheci uma mulher incrível com quem dividi muito mais do que apenas uma mesa aquecida perto da lareira.

Após aquela semana inesquecível na pousada, eu e ela passamos a nos encontrar sempre que tínhamos oportunidade. Foi como se tivéssemos encontrado algo especial ali nas montanhas e não pudéssemos mais deixá-lo para trás.

Certa vez, ela me chamou para conhecer o local onde estava fazendo suas pesquisas. Fiquei surpreso ao ver que era uma espécie de parque nacional, com árvores centenárias e um rio cristalino correndo ao lado. Ela me levou até uma área onde havia vários instrumentos científicos espalhados pelo chão e começou a me explicar sobre seu trabalho.

- Estou estudando o impacto das mudanças climáticas nas florestas de altitude - ela disse, enquanto apontava para um gráfico em seu tablet. - E sabe que isso é muito importante porque...

Ela continuou falando sobre seu trabalho com tanto entusiasmo que eu não podia deixar de admirá-la ainda mais. Não era apenas linda e sensual, mas também extremamente inteligente e apaixonada pelo que fazia.

Enquanto ela continuava sua apresentação, percebi que estava começando a fazer frio novamente. Ela deve ter notado minha expressão porque logo depois disse:

- Venha, eu tenho uma surpresa para você.

Ela me levou até um pequeno abrigo de madeira onde havia uma fogueira acesa e algumas mantas estendidas no chão. Eu não pude evitar sorrir ao ver isso, pois sabia exatamente o que ela tinha em mente.

- Acho que podemos aquecer esse lugar bem rapidinho - eu disse, puxando-a para perto de mim e beijando-a intensamente.

Ela riu e começou a tirar minha jaqueta enquanto eu fazia o mesmo com a dela. Logo estávamos abraçados sob as mantas, aproveitando o calor do fogo e do corpo um do outro. Ficamos ali por longos minutos, apenas conversando e nos beijando, até que ela finalmente disse:

- Sabe, tem algo que eu ainda não fiz aqui nesse lugar.

- O quê? - perguntei, intrigado.

- Fazer amor com você ao ar livre - ela respondeu, com um sorriso malicioso no rosto.

Eu não precisei de mais nenhum convite para começar a explorar cada centímetro do corpo dela ali mesmo no abrigo. Ela era ainda mais gostosa do que eu me lembrava e logo estávamos envolvidos em uma dança apaixonada e intensa, enquanto o fogo crepitava ao nosso redor.

Fomos interrompidos pelo som de alguém se aproximando do abrigo. Olhamos para cima e vimos um guarda-florestal caminhando em nossa direção. Ela ficou vermelha como um tomate e começou a arrumar suas roupas enquanto eu saía das mantas para ir até o homem e explicar quem éramos e o que estávamos fazendo ali.

Depois de alguns minutos de conversa, eu voltei para dentro do abrigo e ela disse:

- Acho melhor irmos embora daqui. Não queremos causar nenhum problema para ninguém, certo?

Concordamos em nos encontrar mais tarde na pousada para continuarmos nosso encontro particular. E assim foi, passamos o restante do dia juntos e a noite também, aproveitando cada momento como se fosse o último antes de voltarmos às nossas vidas normais.

Mas não havia nada de normal no que tínhamos encontrado naquela semana nas montanhas. Era algo especial, único e inesquecível. E enquanto eu estava ali, abraçado a ela na cama da pousada, não podia deixar de pensar em como seria bom ter mais semanas assim com essa mulher incrível ao meu lado.

Fiquei acordado por um tempo depois que ela adormeceu, observando seu rosto enquanto ela dormia. Ela estava tão tranquila e serena, tão diferente da mulher apaixonada e intensa com quem eu tinha passado as últimas horas. Eu não queria que este momento acabasse, mas sabia que o sol logo ia nascer e teríamos que enfrentar a realidade novamente.

Quando finalmente adormeci, foi para ter sonhos vívidos sobre ela e nossos momentos juntos. Acordei algumas horas depois com ela ainda dormindo ao meu lado. Fiquei ali por um tempo, apenas aproveitando sua presença antes de me aventurar a acordá-la com beijos suaves em seu pescoço.

Ela abriu os olhos lentamente e sorriu para mim, então eu disse: - Bom dia, linda. Quer tomar café da manhã comigo? Ela concordou e depois de nos vestirmos e arrumarmos o quarto, descemos para a área comum da pousada onde o café estava sendo servido.

Enquanto comíamos, percebimos que estávamos sozinhos na sala. Olhamos ao redor e vimos que ainda era muito cedo para os outros hóspedes terem acordado. Isso nos fez sorrir um para o outro, lembrando-nos da noite anterior e das coisas que tínhamos feito juntos.

Depois do café, saímos para dar uma volta pela propriedade. A manhã estava fresca e nublada, mas não tão fria quanto os dias anteriores. Caminhamos de mãos dadas pelo jardim, aproveitando a paisagem montanhosa ao nosso redor enquanto conversávamos sobre tudo e nada em particular.

Em certo momento, paramos para admirar uma vista particularmente linda das montanhas cobertas de neve à distância. Eu puxei-a para mais perto de mim e a beijei suavemente nos lábios antes de dizer: - Eu realmente não quero que esta semana acabe. Foi incrível estar aqui com você, longe do mundo real e todos os seus problemas.

Ela olhou para mim com carinho em seus olhos e respondeu: - Nem eu. Mas quem sabe onde o destino nos levará daqui a alguns meses ou anos? Talvez possamos fazer isso de novo algum dia.

Eu sorri esperançoso ao ouvir suas palavras, sentindo-me ainda mais conectado a ela do que antes. Sabia que não importava onde fôssemos ou o que fizéssemos no futuro, sempre teria esses momentos incríveis com essa mulher maravilhosa gravados em minha memória para sempre.

Quando voltamos para a pousada, percebemos que os outros hóspedes já tinham acordado e estavam se preparando para partirem. Nós também começamos a arrumar nossas coisas e nos despedimos dos donos da pousada, agradecendo por tudo o que eles haviam feito por nós durante nossa estadia.

Enquanto saíamos do carro na estação de trem onde iríamos pegar nosso trem de volta à cidade, ela se virou para mim e disse: - Quer saber de uma coisa? Acho que nunca mais vou conseguir ver uma fogueira sem lembrar dessa semana aqui com você. Eu ri e concordei, sentindo o mesmo em relação a ela. E então nos beijamos uma última vez antes de entrarmos no trem e deixarmos aquelas montanhas mágicas para trás.

Mesmo depois que nos separamos naquela estação de trem, soube que algo especial havia acontecido entre nós naquela semana na pousada na serra. Algo que nunca iria embora completamente, não importa onde estivéssemos ou o que fizéssemos no futuro.