Dois anos no mesmo café toda terça-feira — eu com meu notebook, ele com o dele

A gente nunca tinha se falado de verdade. Só os olhares rápidos, o aceno de cabeça, o 'posso sentar aqui?' de uma terça que estava cheio. Na terça seguinte, ele trouxe um café a mais.

Todo terça-feira eu ia ao mesmo café. Depois do trabalho, não tinha nada melhor do que me sentar ali com meu notebook e uma xícara de café quente. Não era um lugar muito grande, mas era acolhedor, com mesinhas de madeira e paredes pintadas de verde-claro.

Eu já conhecia os funcionários pelo primeiro nome e eles sabiam o que eu gostava de pedir sem nem precisar perguntar. Era uma rotina gostosa, até porque a terça-feira sempre foi meu dia preferido da semana.

Até que um dia ele apareceu. Eu não sei bem como descrevê-lo, senão dizendo que era o tipo de cara que você olha duas vezes. Cabelos escuros, barba por fazer, olhos azuis e um corpo que fazia as calças jeans parecerem uma obra de arte. Ele também tinha um notebook e sempre sentava na mesa ao lado da minha.

Nos primeiros meses, só trocamos alguns olhares rápidos e acenos de cabeça. Ele tinha um jeito meio tímido, sempre com a cabeça baixa, digitando no computador como se estivesse completamente absorto em seu trabalho.

Eu tentava não reparar nele demais, mas era difícil. Não era apenas pela sua beleza estonteante, mas também porque havia alguma coisa nele que me atraía. Era como se tivesse uma energia especial, uma presença forte que eu podia sentir mesmo sem ele estar olhando para mim.

Um dia, estava tão cheio no café que tive que pedir para sentar na mesa dele. Ele concordou com um aceno de cabeça e continuou digitando. Não conversamos muito naquela vez, só sobre o tempo e como estava lotado o café hoje. Mas foi o suficiente para eu perceber que a sua voz era tão gostosa quanto ele.

A partir daquele dia, começou uma rotina entre nós dois. Toda terça-feira, nós nos sentávamos lado a lado no café, cada um com seu notebook aberto na frente, digitando e tomando café como se fôssemos colegas de trabalho.

Eu não sei exatamente quando comecei a esperar as terças com mais ansiedade do que o normal, mas começou a acontecer. Era como se tivesse uma tensão acumulada entre nós dois, uma energia elétrica no ar que ficava cada vez mais difícil de ignorar.

Ele começou a me oferecer café às vezes, e eu aceitei. Ele também passou a pedir alguma coisa para comer e sempre trazia um pouco para mim. Começamos a conversar sobre coisas aleatórias, como nossos filmes preferidos, nossas músicas favoritas, nossas viagens de férias.

E então veio o dia em que tudo mudou. Era uma terça-feira comum, como todas as outras antes dela. Estávamos sentados lado a lado no café, digitando em nossos computadores e tomando nosso café. Mas dessa vez, quando ele se virou para mim com um sorriso e ofereceu seu lanche preferido, eu me dei conta de que estava completamente apaixonada por ele.

Não sei como aconteceu, mas foi como se uma luz tivesse sido acesa dentro de mim. Eu percebi que não era apenas atração física, embora isso ainda fosse muito forte também. Era alguma coisa mais profunda, alguma coisa que ia além do desejo e da paixão.

Eu não sei quanto tempo passei olhando para ele depois disso, mas deve ter sido o suficiente para que ele percebesse minha expressão. Ele parou de sorrir e ficou me encarando por um longo tempo antes de finalmente dizer alguma coisa.

"Tudo bem?" ele perguntou, com uma voz suave e preocupada.

Eu não consegui responder. Só balançava a cabeça e continuava olhando para ele, como se estivesse hipnotizada. Foi quando ele chegou mais perto de mim, apoiando uma mão em meu joelho e se aproximando tanto que eu podia sentir sua respiração em meu rosto.

"Eu também me sinto assim", ele murmurou antes de me beijar.

Foi um beijo lento e suave, como se estivéssemos explorando cada centímetro da boca um do outro. Foi um beijo que me fez sentir coisas que eu nunca tinha sentido antes. Foi um beijo que me deixou com vontade de mais.

Ele deve ter percebido isso também, porque logo começou a se mexer em minha direção, encostando seu corpo no meu enquanto continuávamos nos beijando cada vez mais intensamente.

Eu não sei quanto tempo ficamos ali sentados, nos beijando como dois adolescentes apaixonados. Só sei que quando finalmente nos afastamos um do outro, estávamos ambos ofegantes e com os corpos em chamas.

Ele passou uma mão pelo cabelo enquanto eu tentava recuperar o fôlego, olhando ao redor para ver se alguém tinha visto nosso momento de paixão no meio do café lotado. Mas ninguém estava olhando para nós, todo mundo estava ocupado com suas próprias coisas.

"Vamos embora daqui", ele disse finalmente, com uma voz rouca e cheia de desejo. "Vamos para algum lugar onde possamos continuar isso sem sermos interrompidos."

Eu não precisei que ele repetisse a oferta. Logo estávamos saindo do café e caminhando em direção ao seu carro, de mãos dadas como se fôssemos dois adolescentes apaixonados.

Chegamos ao apartamento dele alguns minutos depois e assim que cruzamos a porta, começamos a nos beijar novamente, como se não tivéssemos tempo a perder. Ele começou a me despir enquanto eu fazia o mesmo com ele, nossos corpos quentes e suados se esfregando um no outro em uma dança antiga e conhecida.

Ele tinha razão sobre a tensão acumulada entre nós dois. Ela estava presente em cada toque, em cada beijo, em cada suspiro. Era como se estivéssemos nos conhecendo pela primeira vez, explorando cada curva e cada linha do corpo um do outro enquanto nossas bocas ficavam cada vez mais famintas.

Ele me levou para a cama e começou a me tocar de uma forma que fazia meu corpo inteiro tremer. Era como se ele soubesse exatamente onde toquear, onde beijar, onde lamber para fazer meu desejo aumentar ainda mais.

Eu não sei quanto tempo passou até que finalmente nos unimos, mas quando isso aconteceu, foi como se estivéssemos em um novo nível de intimidade. Era como se tivéssemos esperado toda a vida por aquele momento, como se fosse o destino nos colocando juntos para fazer amor daquela forma tão intensa e tão cheia de paixão.

Depois disso, ficamos deitados lado a lado na cama, olhando para o teto enquanto recuperávamos o fôlego. Eu não sei quanto tempo passou até que ele finalmente falou alguma coisa.

"Eu não esperava que isso acontecesse hoje", ele disse, com uma voz suave e cheia de emoção. "Mas eu estou muito feliz que tenha acontecido."

Eu sorri e me aconcheguei mais perto dele, sentindo seu braço envolver meu corpo enquanto ele me puxava para mais perto.

"Eu também", respondi, sentindo-me mais satisfeita e completa do que nunca antes. "E espero que isso continue a acontecer toda terça-feira."

Ele riu e me deu um beijo no topo da cabeça enquanto eu fechava os olhos, sentindo como se finalmente tivesse encontrado meu lugar no mundo.

Assim começou nosso relacionamento lento e apaixonado. Uma relação que começou em um café comum em uma terça-feira qualquer e cresceu a partir daí em algo muito mais profundo e significativo do que poderíamos ter imaginado naquele primeiro dia.

E mesmo agora, depois de todos esses anos juntos, ainda é no café toda terça-feira que nós nos encontramos para relembrar como tudo começou. É uma tradição que nunca vai embora, assim como nosso amor um pelo outro.

Depois daquele primeiro dia no café e tudo o que veio depois, passamos meses nos encontrando toda terça-feira. Era nosso momento especial, uma tradição que mantínhamos sagrada. Independentemente do quanto estivéssemos ocupados com nossas vidas, sempre fazíamos questão de encontrar um ao outro naquele lugar.

Um dia, enquanto estávamos sentados no mesmo canto de sempre, percebi que ele estava diferente. Havia uma expressão nervosa em seu rosto e seus gestos eram mais hesitantes do que o habitual. Tentei não deixar transparecer meu preocupação e continuei a conversar sobre assuntos aleatórios, mas minha mente estava à mil com perguntas.

Finalmente, depois de um longo silêncio, ele respirou fundo e começou a falar:

"Eu tenho algo importante para te dizer", disse ele, olhando para mim com uma expressão séria. "Sabe que eu te amo muito e que nossa relação é muito importante para mim, certo?"

Assenti, sentindo meu coração bater mais rápido em meu peito.

"Bem, então você precisa saber que eu fui oferecido uma oportunidade incrível de trabalho em outro país", continuou ele. "É uma grande chance para minha carreira, mas isso significaria nos mudarmos para lá por um tempo indeterminado."

Fiquei surpresa com a notícia e não soube o que dizer por alguns segundos. Não queria parecer egoísta ou negativa, então respondi:

"Eu entendo que seja uma oportunidade importante e estou muito orgulhosa de você", disse eu, sorrindo para ele. "Vamos encontrar uma forma de fazer dar certo."

Ele me olhou com gratidão e tomou minha mão na sua.

"Eu sabia que você iria entender", disse ele, beijando meus dedos. "E eu não vou te abandonar, prometo. Vamos encontrar uma maneira de continuar nos encontrando toda terça-feira, mesmo que seja virtualmente."

Senti meu coração se encher de amor e esperança. Nós iríamos superar esse desafio juntos, assim como tudo o mais até então.

"Eu te amo demais", disse eu, enquanto me aproximava para beijá-lo.

"Eu também te amo", respondeu ele, me puxando para mais perto.

E foi assim que continuamos nosso relacionamento mesmo à distância. Com muito amor, compreensão e uma tradição especial toda terça-feira.