Ela ouvia o mesmo podcast que eu — e nunca soube que eu sabia
Cinco meses trabalhando do mesmo café, ela com fone, eu sem. Um episódio que toquei em voz alta por engano, a pausa dela, e a primeira vez que falamos de algo que não era o pedido do café.
Eu trabalho num café há cinco meses. Não é nenhum lugar especial, apenas um点 café como qualquer outro, com mesinhas de madeira escura, cadeiras descombinando e uma máquina de café expresso que faz mais barulho do que deveria. Mas eu gosto do meu trabalho. Gosto do cheiro do café fresco pela manhã, da rotina tranquila e da possibilidade de observar as pessoas enquanto elas não percebem.
Há uma moça que sempre vem ao café. Ela é alta e magra, com cabelos castanhos que ela sempre prende num rabo de cavalo bagunçado. Ela usa óculos de aro vermelho e sempre tem um livro na bolsa. Ela vem todas as manhãs, pede um café com leite e senta na mesa do canto, com fones de ouvido nas orelhas.
Eu não sei por que, mas desde o primeiro dia em que a vi, fui atraído por ela. Não era só pela sua beleza discreta, mas pelo jeito como ela segurava o livro com as duas mãos, como se estivesse protegendo algo precioso. Ou o jeito como ela fechava os olhos quando tomava o primeiro gole de café, como se estivesse saboreando algo delicioso.
Mas ela sempre estava com os fones de ouvido, e eu nunca tive coragem de interrompê-la. Então, eu apenas a observava de longe, enquanto ela lia, enquanto ela ouvia o que quer que estivesse no seu podcast favorito.
Até que um dia, eu estava limpando a mesa ao lado da dela, e acabei batendo na máquina de café expresso com o cotovelo. A música alta do podcast dela saiu pelos fones, preenchendo o silêncio do café. Eu fiquei paralisado, olhando para ela, enquanto ela olhava para mim, surpresa.
"Desculpa", eu disse, meio sem jeito. "Eu não queria interromper o seu podcast."
Ela sorriu, tirando os fones de ouvidos. "Tudo bem", ela disse. "Na verdade, eu estava começando a ficar cansada da voz dele. Como você sabe, é o mesmo episódio todas as manhãs."
Eu ri. "Eu também ouço esse podcast", eu disse. "Eu não sabia que tinha alguém mais aqui que gostava dele tanto quanto eu."
E assim, começou a nossa conversa. Conversamos sobre o podcast, sobre os episódios favoritos e os que não gostamos tanto. Conversamos sobre livros, sobre música, sobre tudo e nada. E enquanto conversávamos, eu percebi que a tensão que eu sentia sempre que ela entrava no café estava começando a sumir. Ela era ainda mais interessante do que eu imaginava.
Mas mesmo assim, eu não conseguia me aproximar dela. Eu não conseguia convidá-la para sair, não conseguia lhe dizer o quanto ela me atraía. Então, eu apenas continuava a conversar com ela todas as manhãs, enquanto ela tomava o seu café com leite e eu tomava o meu café preto.
Até que um dia, ela não veio ao café. Eu fiquei preocupado, imaginando se tinha acontecido algo com ela. Mas no dia seguinte, ela voltou, com um sorriso no rosto e uma desculpa para a sua ausência. E enquanto ela falava, eu percebi que não aguentava mais.
Eu não aguentava mais ver ela todos os dias, tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Eu não aguentava mais sentir essa atração cada vez maior, mas não ter coragem de confessar meus sentimentos. Então, enquanto ela ainda estava falando, eu a interrompi. "Posso te fazer uma pergunta?" Ela ficou surpresa, mas assentiu. "Claro, o que você quer saber?" Eu respirei fundo, preparando-me para o que ia dizer. "Eu gostaria de saber se você gostaria de sair comigo. Não como amigos, mas como algo a mais." Ela abriu a boca, surpresa, mas logo em seguida sorriu. "Eu achava que você nunca ia pedir", ela disse, rindo. "Eu também sou atraída por você, sabe? Eu só não tinha certeza se você sentia o mesmo." Eu sorri de volta, aliviado. "Eu sinto, sim. E eu gostaria muito de sair com você." E assim, nós dois saímos do café juntos, com planos de nos conhecer melhor e ver aonde essa atração iria nos levar.
Saímos do café juntos, caminhando lado a lado pelas ruas movimentadas da cidade. Ela passou o braço pelo meu, como se fosse a coisa mais natural do mundo, e eu senti um aperto no coração. Estávamos tão perto agora, tão diferentes da distância que sempre existiu entre nós.
"Você sabia que eu já vim a este café todas as manhãs durante um ano?" ela disse, sorrindo. "Eu não podia acreditar quando você disse que também ouvia o mesmo podcast. Foi como encontrar uma alma gêmea."
"Eu também não podia acreditar", eu disse. "Eu sempre achei que era a única pessoa no mundo que gostava daquele podcast esquisito."
"É verdade que ele é meio esquisito", ela disse, rindo. "Mas eu gosto dele. Ele me faz pensar sobre coisas diferentes, coisas que eu nunca teria considerado sozinha."
"Eu também", eu disse. "E eu gosto de como ele nos faz pensar juntos. Como se estivéssemos conectados por algo maior do que nós mesmos."
Ela sorriu para mim, e eu senti meu coração bater mais forte. "Eu gostaria de conhecer você melhor", ela disse. "Quer dizer, além do café e do podcast."
"Eu também gostaria disso", eu disse. "Talvez possamos sair para jantar alguma noite. Ou ir ao cinema. Ou apenas dar uma volta no parque."
"Eu gostaria disso", ela disse. "Mas primeiro, eu gostaria de conhecer a sua casa. Quero saber onde você vive, onde você ouve o podcast todas as manhãs."
Eu hesitei por um momento, surpreso pelo pedido dela. "Você quer vir à minha casa agora?" eu perguntei.
"Sim, se você não se importar", ela disse. "Eu só quero conhecer você melhor, saber onde você mora, o que você gosta de fazer além de ouvir podcasts."
Eu sorri, sentindo-me meio nervoso. "Eu gostaria disso", eu disse. "Vamos pegar um táxi e ir para a minha casa agora, então."
Entramos em um táxi e demos o endereço do meu apartamento ao motorista. Enquanto o carro se movimentava pela cidade, ela descansou a cabeça no meu ombro e eu passei o braço ao redor dela, sentindo-me mais feliz do que jamais me senti antes. Quando chegamos ao meu prédio, eu a levei até o meu apartamento e ela começou a explorar, olhando para tudo com interesse.
"É muito aconchegante", ela disse, sorrindo. "Eu gosto do jeito que você decorou."
"Obrigado", eu disse. "Eu gosto de ter um lugar onde eu possa relaxar e ouvir meu podcast em paz."
"Eu também", ela disse. "E agora, eu gostaria de conhecer a sua voz. Quero saber mais sobre você, além do podcast e do café."
Eu sorri, sentindo-me animado para conhecê-la melhor também. "Eu gostaria disso", eu disse. "Vamos nos sentar e conversar, então. Quero saber tudo sobre você."
Nós nos sentamos no sofá, lado a lado, com nossas pernas se tocando levemente. Ela sorriu para mim e começou a contar sobre sua vida. Ela trabalhava como designer gráfica em uma agência de publicidade e adorava seu trabalho, apesar de às vezes ser estressante. Ela me contou sobre sua família, seus amigos, seus hobbies e suas viagens. Eu ouvi atentamente, fascinado por cada detalhe de sua vida.
Quando chegou a minha vez de falar, contei a ela sobre meu trabalho como escritor freelancer, sobre minha paixão por literatura e cinema, sobre meu amor por minha família e meus amigos. Contei a ela sobre meu sonho de um dia publicar um livro e ela me encorajou a seguir em frente, dizendo que tinha certeza de que eu seria um grande sucesso.
À medida que a noite passava, nos aproximávamos cada vez mais um do outro. Nossos dedos se entrelaçavam, nossas pernas se tocavam mais vezes e nossas vozes ficavam mais baixas e íntimas. Ela era ainda mais fascinante do que eu havia imaginado, e eu sentia que estava me apaixonando por ela cada vez mais a cada palavra que ela dizia.
Finalmente, depois de horas de conversa, ela olhou para mim com seus olhos brilhantes e disse: "Eu gostaria de beijar você agora". Eu sorri e me inclinei em direção a ela, sentindo seus lábios macios e quentes nos meus. Foi um beijo lento e apaixonado, cheio de desejo e paixão contida. Quando nos separamos, ela sorriu para mim e disse: "Eu não posso acreditar que levei um ano para conhecer você melhor".
"Eu também não posso acreditar", eu disse. "Mas agora que eu conheço você, eu não quero que você vá embora nunca mais".
Ela riu e se aconchegou mais perto de mim, com sua cabeça em meu ombro. "Eu não vou a lugar nenhum", ela disse. "Eu estou exatamente onde eu quero estar".
Ficamos assim por alguns minutos, apenas abraçados, aproveitando a presença um do outro. Finalmente, ela se afastou um pouco e olhou para mim com um brilho malicioso nos olhos. "Você sabe", ela disse, "eu ainda não ouvi nenhum episódio do podcast hoje".
Eu sorri para ela, sabendo exatamente o que ela estava sugerindo. "Bom", eu disse, "talvez nós devamos começar a ouvir agora. Juntos".
Ela sorriu de volta para mim e eu a beijei novamente, sentindo-me mais feliz do que jamais me senti antes. Sabia que tinha encontrado alguma coisa especial naquela manhã no café, alguma coisa que eu nunca tinha imaginado que poderia encontrar. E agora, com ela em meus braços, eu sabia que nunca a deixaria ir embora.