Bar de esportes, Brasil na Copa — ele era o único que não estava torcendo
Todo mundo de verde e amarelo, gritando na mesma direção. Ele estava numa mesa do canto com um copo de cerveja e o olhar em outro lugar. Eu encontrei esse outro lugar.
A Copa do Mundo estava no auge e o Brasil inteiro fervia de emoção. O país era uma mistura de verde e amarelo, e a cada gol, as ruas ecoavam com gritos de alegria. Eu não era diferente. A paixão pelo futebol corria em minhas veias, e eu estava ansioso para ver minha equipe favorita jogar.
O bar de esportes perto da minha casa era o lugar perfeito para assistir aos jogos. Estava sempre lotado de torcedores animados, com seus gritos e aplausos. Eu gostava da energia, da camaradagem. Mas havia uma coisa que me incomodava. Havia um homem, sempre sentado numa mesa do canto, sozinho com um copo de cerveja. Ele não gritava, não aplaudia. Seus olhos não estavam no jogo, mas fixos em algum lugar fora da tela.
Eu não podia deixar de notar sua presença. Ele era alto, com ombros largos e uma barba escura que lhe dava um ar de mistério. Seus olhos eram profundos, quase tão escuros quanto sua barba, e havia algo neles que me atraía. Eu não conseguia entender por que ele não estava torcendo como todo mundo. Mas isso só fazia com que eu quisesse saber mais sobre ele.
Uma noite, enquanto o Brasil jogava, eu tomei coragem e fui até sua mesa. Ele não olhou para mim quando me sentei à sua frente. Seu olhar estava fixo na tela, mas eu sabia que ele não estava assistindo ao jogo.
— Por que você não torce como os outros? — perguntei, tentando manter a voz tranquila.
Ele me olhou então, e eu senti um choque no estômago ao ver seus olhos tão perto. Havia algo neles que eu não conseguia identificar. Tristeza? Solidão?
— Não sou fã de futebol — ele respondeu simplesmente.
Fiquei surpreso. Como alguém podia não gostar de futebol, especialmente durante a Copa do Mundo? Mas antes que eu pudesse perguntar mais, ele mudou de assunto.
— Você está gostando do jogo? — ele perguntou, apontando para a tela atrás de mim.
Eu me virei para ver o placar. O Brasil estava ganhando, e a multidão estava em delírio. Eu sorri, sentindo a alegria que sempre acompanha uma vitória da minha equipe. Mas quando me virei de volta para ele, seu olhar tinha mudado. Era quase como se ele estivesse com inveja.
— Gostaria de sentir isso — ele disse baixinho, mais para si mesmo do que para mim.
Eu não entendi o que ele quis dizer, mas havia algo em sua voz que me fez querer entender. Queria conhecer melhor esse homem que parecia tão fora do lugar.
Os dias seguintes foram cheios de tensão. Eu não conseguia tirar os olhos dele, e cada vez que o via, meu coração acelerava. Ele era um mistério para mim, e eu estava determinado a desvendá-lo.
Certa noite, depois de outro jogo emocionante, eu tomei coragem e fui até ele. Ele estava exatamente como sempre, sozinho em sua mesa do canto. Mas desta vez, ele sorriu quando eu me sentei à sua frente.
— Você quer saber por que eu não torço como os outros — ele disse, antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa.
Eu assenti, surpreso com sua abordagem direta. Ele respirou fundo e começou a contar sua história.
— Eu fui criado num ambiente muito conservador — ele começou. — Meus pais eram muito rigorosos e não aceitavam nada que fosse diferente do que eles consideravam normal. Quando eu descobri que gostava de homens, achei que não tinha ninguém com quem pudesse me identificar. Foi aí que eu comecei a rejeitar tudo o que os outros aceitavam sem questionar, inclusive o futebol.
Fiquei surpreso com sua história. Eu nunca teria imaginado que havia algo tão profundo por trás de sua indiferença ao futebol. Mas agora que eu sabia, eu queria fazer alguma coisa para mudar isso.
— Eu não sou muito fã de futebol também — eu disse, tentando encontrar um ponto comum entre nós. — Mas eu gosto da emoção, da união que o esporte traz às pessoas.
Ele me olhou então, com aqueles olhos tão profundos, e eu senti que ele estava vendo além da superfície. Havia algo nele que me atraía, alguma coisa que eu não conseguia identificar.
— Você quer sentir isso — eu disse, repetindo suas palavras da outra noite. — E eu posso te mostrar como.
Ele ficou surpreso, mas não se afastou. Em vez disso, ele ficou olhando para mim, como se estivesse tentando entender o que eu estava oferecendo.
— O que você tem em mente? — ele perguntou finalmente.
Eu sorri, sabendo que havia encontrado um ponto de partida.
— Vamos assistir ao jogo juntos — eu disse. — Não como torcedores, mas como amigos. E depois, quem sabe o que pode acontecer.
Ele hesitou por um momento, mas então concordou. E assim, começamos a assistir aos jogos juntos. Não como torcedores, mas como amigos. E com cada jogo, eu sentia que estávamos nos aproximando.
Até que chegou o dia do jogo decisivo. O Brasil estava na final, e o bar estava lotado de torcedores animados. Nós nos sentamos juntos, e enquanto os outros gritavam e aplaudiam, nós apenas conversávamos, ríamos e aproveitávamos a companhia um do outro.
Quando o jogo acabou e o Brasil venceu, o bar estava em delírio. Mas eu não conseguia parar de olhar para ele. Havia algo em seus olhos que eu nunca tinha visto antes. Algo que me fez querer beijá-lo ali mesmo.
Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, ele se aproximou de mim e colocou a mão em meu joelho. Eu senti um choque de eletricidade correr pelo meu corpo. E então, ele sorriu.
— Quer ir para outro lugar? — ele perguntou, baixinho.
Eu não precisei perguntar onde. Eu sabia que ele estava sugerindo o mesmo que eu estava pensando. E assim, nós saímos do bar lotado e fomos para um lugar mais tranquilo.
Quando chegamos ao seu apartamento, eu não podia mais esperar. Eu o beijei, sentindo a eletricidade entre nós. Ele correspondeu, e nós começamos a explorar um ao outro, descobrindo cada curva e cada centímetro de pele.
Ele era tão gostoso quanto eu havia imaginado. Seus ombros largos, seus músculos definidos, sua barba escura. Eu não conseguia deixar de tocá-lo, de beijá-lo, de explorar cada parte dele.
Ele me levou para o quarto, e nós começamos a fazer amor. Ele foi lento e cuidadoso, explorando cada parte do meu corpo como se fosse um tesouro escondido. Eu sentei em cima dele, sentindo-o dentro de mim enquanto ele me beijava e acariciava.
Eu nunca tinha sentido nada tão intenso. Era como se todos os sentidos estivessem acordados, como se eu pudesse sentir cada toque, cada movimento, cada respiração. Era como se eu estivesse sentindo o que ele estava sentindo, a emoção que ele havia descrito antes.
Quando finalmente chegamos ao clímax, foi como se todo o corpo dele se tensionasse e depois relaxasse, como uma onda que havia atingido a praia. Eu me deitei ao seu lado, sentindo seu corpo quente e suado ao meu lado.
E então, eu entendi. A emoção que ele havia descrito não era apenas a emoção do futebol. Era a emoção de se sentir vivo, de estar presente no momento, de sentir cada toque, cada movimento, cada respiração. Era a emoção de estar com alguém que entendesse você, que estivesse com você, que lhe fizesse sentir vivo.
Eu não sei quanto tempo ficamos ali deitados, nos abraçando e nos beijando. Mas quando finalmente saímos do quarto, nós sabíamos que tínhamos encontrado algo especial. Algo que ia além do futebol, além da Copa do Mundo, além de tudo o que tínhamos conhecido antes.
E assim, nós começamos a namorar. Não importa o que os outros pensassem, nós sabíamos que tínhamos encontrado algo verdadeiro. E eu não poderia estar mais feliz por ter conhecido esse homem que não torcia como os outros. Afinal, quem sabe onde eu estaria agora se eu não tivesse visto além da superfície e descoberto o que havia por baixo?
Quando acordamos no dia seguinte, ainda deitados na cama desarrumada, percebemos que o barulho lá fora havia mudado. Era como se o mundo tivesse acordado com uma nova energia, e logo percebemos o porquê: a seleção brasileira tinha ido às semifinais da Copa do Mundo.
Ele abriu um sorriso largo e me deu um beijo na testa. — Quer ir ver o jogo hoje à noite? — ele perguntou. — Posso preparar uma janta para nós dois e podemos assistir no meu apartamento.
Eu sorri de volta e concordei. — Adoraria isso.
Enquanto ele estava ocupado na cozinha, eu fui ao banheiro e percebi que tinha uma mensagem no meu celular. Era do meu melhor amigo, que ainda não sabia sobre o meu novo relacionamento. "Ei, onde você está? Não estamos vendo o jogo juntos hoje à noite?"
Eu sorri e decidi contar a verdade. "Ei, tenho uma novidade para você. Conheci alguém. E estamos assistindo o jogo juntos esta noite. Mas você é sempre bem-vindo para se juntar a nós!"
Ele demorou alguns minutos para responder, e eu comecei a ficar preocupada. Mas então, finalmente, ele escreveu de volta: "Uau, que notícia! Estou muito feliz por você. E eu adoraria me juntar a vocês esta noite. Mande o endereço e eu estarei lá."
Quando voltei para a sala, meu namorado estava colocando a comida na mesa. — Acho que temos mais um convidado para o jantar esta noite — eu disse, sorrindo. — Meu melhor amigo vai se juntar a nós.
Ele riu e passou o braço ao redor dos meus ombros. — Quanto mais, melhor. Afinal, estamos todos no mesmo time, certo?
E assim, passamos a noite assistindo ao jogo, comendo, bebendo e rindo juntos. Foi a melhor noite que eu poderia ter imaginado, e percebi que tinha encontrado algo ainda mais especial do que pensei: uma pessoa que me fazia sentir vivo e que também se dava bem com as pessoas que eram importantes para mim.