Fui à UPA às duas da manhã — e o plantonista tinha o mesmo rosto de sempre
Não era meu médico. Era o homem do bloco B que eu cumprimentava no corredor há um ano sem saber o que ele fazia. Num quarto de UPA às três da manhã, a gente finalmente teve uma conversa de verdade.
Fui à UPA às duas da manhã, com uma dor lancinante no lado esquerdo do corpo. Minha cabeça latejava, meu estômago revirava e eu mal conseguia me mexer. Liguei para o serviço de transporte e, em poucos minutos, uma ambulância chegou à minha porta. O caminho até o hospital foi uma tortura, cada solavanco na estrada me fazia gemer de dor. Quando chegamos à UPA, fui imediatamente levado para uma maca e levado para uma sala de exames.
Enquanto esperava o médico, fiquei deitado lá, olhando para o teto, tentando me distrair da dor. E então, ouvi uma voz familiar. Era ele, o homem do bloco B, aquele que eu cumprimentava no corredor há um ano sem saber o que ele fazia. Ele estava de pé na porta, vestindo um uniforme branco e segurando uma prancheta.
— O que aconteceu? — ele perguntou, aproximando-se de mim.
— Dor no lado esquerdo — respondi, meio tonto. — Não consigo me mexer sem sentir dor.
Ele fez algumas anotações na prancheta e então começou a me examinar. Seus dedos pressionaram meu abdômen, me fazendo estremecer, e então ele pediu que eu fizesse alguns movimentos para verificar se havia alguma fratura.
— Acho que é uma apendicite — ele disse finalmente. — Precisamos fazer alguns exames para ter certeza, mas é provável que você precise ser operado.
Fiquei lá deitado, sentindo uma mistura de dor e medo. Ele percebeu meu desconforto e colocou uma mão em meu ombro.
— Não se preocupe — ele disse. — Vou cuidar de você.
E então, algo mudou entre nós. Foi como se um interruptor tivesse sido ligado. Eu podia sentir a tensão crescente no ar, uma corrente elétrica passando entre nós. Ele deve ter sentido também, porque seus olhos encontraram os meus e ficamos ali, olhando um para o outro, por um longo momento.
O exame de imagem confirmou que era uma apendicite e fui levado para o centro cirúrgico. Quando acordei, depois da operação, estava em um quarto de hospital, com ele sentado ao meu lado.
— Como você está se sentindo? — ele perguntou, com uma expressão preocupada.
— Melhor — respondi, sorrindo fracamente. — Obrigado por tudo.
Ele sorriu de volta e então ficou em silêncio por alguns minutos. E então, ele começou a falar.
— Eu sou o Lucas — ele disse. — O cara do bloco B.
Eu ri fraco.
— Eu sei — respondi. — Mas não sabia que você trabalhava aqui. Por que nunca me contou?
Ele deu de ombros.
— Não sei — ele disse. — Acho que nunca achei o momento certo. E então, quando eu finalmente tinha a chance de te conhecer melhor, você sempre estava ocupado ou saindo com alguém.
Eu fiquei surpreso. Não tinha ideia de que ele tinha reparado em mim daquela maneira.
— Eu não sabia que você era gay — ele continuou. — E não queria me meter onde não era chamado.
Eu riagain.
— Eu não sou gay — eu disse. — Mas isso não significa que eu não possa gostar de um cara bonito quando o vejo.
Ele ficou vermelho e baixou os olhos. E então, eu fiz algo que nunca tinha feito antes. Eu estendi a mão e toquei seu rosto, sentindo sua barba por fazer sob meus dedos.
— Eu gostei de te conhecer melhor hoje — eu disse. — E gostaria de te conhecer ainda mais.
Ele olhou para mim surpreso, e então começou a rir.
— Acho que podemos arranjar isso — ele disse. — Quando você sair daqui, podemos ir tomar um café. E então, quem sabe o que pode acontecer?
Eu sorri de volta, sentindo meu coração bater mais rápido. E então, eu percebi que finalmente tínhamos uma chance de nos conhecermos melhor. E não apenas como vizinhos, mas como amigos. E quem sabe, talvez algo mais.
Depois de alguns dias no hospital, eu finalmente fui liberado para ir para casa. Lucas veio me buscar e me levou até sua casa para eu me recuperar. Durante os dias seguintes, ele cuidou de mim como um anjo, fazendo minha comida, me ajudando a tomar banho e até mesmo me dando massagens nos pés. Era incrível como ele era atencioso e doce.
Uma noite, enquanto estávamos assistindo TV, eu me virei para ele e disse: "Obrigado por tudo o que você fez por mim. Eu não sei o que teria feito sem você."
Ele sorriu e disse: "Não precisa me agradecer. Foi um prazer cuidar de você."
E então, eu fiz algo que estava querendo fazer há muito tempo. Eu me inclinei e o beijei. Ele ficou surpreso, mas logo depois começou a beijar de volta. Foi um beijo doce e apaixonado, e eu pude sentir meu coração batendo cada vez mais rápido.
Depois de alguns minutos, nós nos separamos e nos olhamos nos olhos. Ele sorriu e disse: "Eu também gostei muito."
Eu sorri de volta e então percebi que tinha gostado demais dele. E não era apenas uma amizade, era algo mais forte e profundo. Eu não sabia onde isso iria dar, mas estava ansioso para descobrir. E então, eu percebi que estava pronto para arriscar e ver aonde isso iria nos levar.
Depois daquele beijo apaixonado, eu e Lucas ficamos nos olhando por alguns segundos, como se estivéssemos tentando entender o que tinha acabado de acontecer entre nós. Eu me sentia nervoso, mas ao mesmo tempo muito à vontade com ele. Era como se tivéssemos nos conhecido há muito tempo e agora estivéssemos apenas retomando onde tínhamos parado.
— Isso foi... incrível — disse Lucas, quebrando o silêncio.
— Foi mesmo — concordei, sorrindo.
— Eu não esperava que isso fosse acontecer — continuou ele. — Quer dizer, eu sempre achei você muito atraente, mas não sabia se você sentia o mesmo por mim.
— Eu também achei você muito atraente — confessei. — E não só isso, eu gosto muito de você, Lucas. Eu não sei exatamente onde isso vai dar, mas eu gostaria de descobrir juntos.
Ele sorriu e segurou minha mão.
— Eu também gostaria disso — disse ele. — E eu gostaria de fazer isso direito. Não quero que você se sinta pressionado ou com medo de me magoar. Eu quero que isso seja algo natural e verdadeiro entre nós dois.
Concordei com ele e começamos a conversar sobre nossas vidas, nossos sonhos e nossas expectativas. Era como se estivéssemos nos conhecendo de verdade, mesmo depois de já termos compartilhado alguns momentos tão íntimos juntos.
Depois de algumas horas, eu percebi que estava ficando tarde e que precisava ir embora.
— Você pode ficar aqui hoje, se quiser — ofereceu Lucas. — Eu posso dormir no sofá e você pode ficar com o quarto.
— Eu não quero te expulsar do seu quarto — disse eu.
— Não é isso — riu ele. — Eu só não quero que você precise sair tão tarde assim. Além disso, eu gostaria de ter você perto de mim esta noite.
Eu sorri e aceitei a oferta. Depois que Lucas foi dormir no sofá, eu fui para o quarto e fiquei pensando em tudo o que tinha acontecido entre nós dois. Eu nunca tinha me sentido tão conectado com alguém antes e estava ansioso para ver onde isso iria nos levar.
Quando acordei, o sol já estava alto no céu e eu podia ouvir o barulho da água corrente vindo do banheiro. Eu me levantei da cama e fui até lá para encontrar Lucas tomando banho. Ele estava de costas para mim, com a água escorrendo pelo seu corpo musculoso. Eu hesitei por um momento, não querendo invadir seu espaço, mas ele deve ter sentido minha presença porque se virou e sorriu para mim.
— Bom dia — disse ele, convidando-me a entrar.
Eu entrei no banheiro e fiquei olhando para ele por alguns segundos antes de me juntar a ele debaixo do chuveiro. Ele começou a me ensaboar, passando as mãos pelo meu corpo enquanto eu fazia o mesmo com ele. Foi uma sensação incrível, como se estivéssemos explorando um novo território juntos.
Depois do banho, nos secamos e fomos para a cozinha fazer o café da manhã juntos. Conversamos sobre os nossos planos para o dia enquanto comíamos e eu percebi que estava me sentindo muito à vontade com ele. Era como se estivéssemos juntos há muito mais tempo do que apenas uma noite.
Mais tarde, fomos dar uma volta no parque e acabou virando um dia inteiro de passeio. Conversamos sobre tudo e nada, rindo e brincando como se fôssemos namorados há anos. Foi uma sensação incrível, como se estivéssemos vivendo um sonho.
Quando chegou a hora de voltar para casa, eu não queria que o dia acabasse. Mas eu tinha que ir embora, pois tinha compromissos no dia seguinte cedo. Lucas me acompanhou até a porta e me deu um beijo de despedida.
—Eu não quero que você vá — disse ele, me abraçando forte.
—Eu também não quero ir — respondi, apertando-o ainda mais forte. —Mas eu prometo que nos veremos em breve.
E com isso, eu saí pela porta e deixei Lucas para trás. Mas não por muito tempo. Eu já estava ansioso para vê-lo novamente e descobrir onde essa história iria dar.