As duas sempre iam juntas a todos os shows — até uma ir sozinha
Era a regra da amizade: ninguém ia sem a outra. Quando ela comprou ingresso pra uma noite sem contar, foi porque sabia o que ia acontecer se a outra viesse. Aconteceu do mesmo jeito — só que a surpresa foi outra.
Eu e a Maria sempre íamos juntas a todos os shows. Era a regra da nossa amizade: ninguém ia sem a outra. A gente se conheceu numa festa de aniversário, ficou conversando a noite inteira e, quando o sol apareceu, já éramos melhores amigas. A partir daí, não tinha evento que a gente não fosse juntas. A gente gostava da mesma música, do mesmo tipo de festa e, claro, dos mesmos caras.
Mas tinha uma coisa que a gente não gostava de dividir: o coração. A Maria era louca pelo Leonardo, o vocalista da banda que a gente sempre ia ver. Eu não gostava dele só porque ela gostava. Tinha o Guilherme, o guitarrista, que me olhava sempre com aqueles olhos verde-esmeralda e me fazia sentir coisas que eu não conseguia explicar.
Até que um dia eu vi um anúncio de um show deles em uma cidade bem longe. Era uma oportunidade única de ver a banda ao vivo, mas eu sabia que, se eu convidasse a Maria, ela ia começar a falar do Leonardo e eu ia começar a sentir ciúmes. Eu não queria estragar a noite com discussões.
Então eu fiz o que nunca tinha feito antes: comprei dois ingressos e não contei pra ela. Eu ia levar uma amiga do trabalho, que também gostava da banda. A Maria ia ficar brava, mas eu não queria perder a chance de ver o Guilherme de pertinho.
No dia do show, eu estava meio nervosa. A gente chegou lá cedo e a Maria ainda não tinha dado sinal de vida. Eu fiquei preocupada, mas não quis ligar pra ela. A gente ia ter uma conversa séria depois do show, eu já estava preparada pra isso.
Mas quando a banda subiu no palco, eu me esqueci de tudo. O som era tão gostoso, tão alto, que eu comecei a pular e a gritar junto com todo mundo. A gente conhecia todas as músicas de cor e salteado, então a gente cantava junto e ria das letras bobas. Foi uma noite incrível.
Até que, de repente, eu senti uma mão no meu ombro. Eu me virei e dei de cara com a Maria, com os olhos arregalados e as bochechas vermelhas. Ela estava linda, com um vestidinho preto e os cabelos soltos. Eu não entendia como ela tinha entrado, mas eu não estava reclamando.
— O que você está fazendo aqui? — eu perguntei, meio sem graça.
— Eu vim ver você — ela respondeu, sorrindo. — Eu não podia deixar você vir sozinha pro show da banda que a gente ama tanto.
Eu fiquei emocionada. A gente começou a pular e a cantar junto, como se a gente não tivesse se visto há anos. A gente não falou mais sobre o que tinha acontecido, nem sobre quem gostava de quem. A gente só aproveitou o momento, como duas melhores amigas que se reencontraram depois de muito tempo.
E então, quando a banda começou a tocar a última música, eu senti a mão da Maria na minha cintura. Ela me puxou pra perto dela e eu senti o cheiro do seu perfume, misturado com o cheiro do suor e do perfume de todo mundo que estava ali. Eu fiquei meio sem graça, mas eu não quis me afastar.
Eu senti os lábios dela na minha orelha, dizendo que ela tinha uma surpresa pra mim. Eu fiquei curiosa e, quando a música acabou, a gente saiu do show de mãos dadas. A gente não falou nada enquanto andava pela rua escura, só ouvia o som da música ainda tocando na cabeça da gente.
Até que a gente chegou em um lugar que eu não conhecia. Era uma casa grande, com uma piscina enorme e uma vista linda do mar. Eu não entendia o que a gente estava fazendo ali, até que a Maria abriu a porta e eu vi o Guilherme, todo ensopado de suor, olhando pra gente com aqueles olhos verde-esmeralda.
Eu fiquei sem reação. A Maria me empurrou pra dentro da casa e eu sentei no sofá, enquanto ela e o Guilherme começavam a conversar. Eles falavam baixo, mas eu conseguia ouvir tudo. Eles estavam falando de mim, de como eu gostava dele e de como eles queriam me fazer feliz.
Eu fiquei meio sem graça, mas eu não quis dizer nada. Eu só fiquei ali, assistindo os dois falarem sobre mim, enquanto eu sentia o meu coração batendo cada vez mais rápido. Até que eles pararam de falar e veio em direção a mim.
E então, eles começaram a me beijar. Os dois, ao mesmo tempo. Eu fiquei meio sem reação, mas eu não quis afastar ninguém. Eu deixei eles me beijarem, enquanto eu sentia o gosto do suor deles na minha boca. Eles eram tão gostosos, tão cheirosos, que eu não queria que eles parassem nunca.
A gente ficou ali, os três, por horas. A gente se beijava, se acariciava, se explorava. A gente se conhecia como se a gente fosse se conhecer há muito tempo. A gente não teve vergonha de nada, nem de mostrar as partes mais íntimas do nosso corpo. A gente só queria se sentir, se tocar, se provar.
Até que, de repente, a gente começou a fazer coisas que eu nem imaginava que a gente fosse fazer. A gente começou a se tocar de uma forma mais íntima, mais profunda. A gente começou a se beijar em lugares que eu nem imaginava que fosse possível beijar. A gente começou a fazer coisas que eu nem imaginava que fosse possível fazer.
E então, quando a gente estava no auge do prazer, a gente começou a gritar juntos. A gente começou a se sentir juntos, como se a gente fosse uma só pessoa. A gente começou a se amar juntos, como se a gente fosse uma família.
E então, quando a gente terminou, a gente ficou ali, abraçado, como se a gente fosse uma só pessoa. A gente não queria se separar, nem mesmo para ir embora. A gente só queria ficar ali, juntos, para sempre.
Mas, é claro, a gente teve que ir embora. A gente teve que voltar pra realidade, pra nossas vidas normais. A gente tinha que fingir que nada tinha acontecido, que a gente não tinha se amado daquela forma tão intensa e tão profunda.
Mas, apesar de tudo, a gente continuou a ser melhores amigas. A gente continuou a ir aos shows juntas, a conversar por horas e a se abraçar forte. A gente continuou a ser a melhor dupla de melhores amigas do mundo.
E, mesmo que a gente nunca mais falasse sobre aquela noite, eu sei que ela sempre vai estar ali, entre a gente. Eu sei que a gente sempre vai se lembrar daquela noite, daquela casa, daquela piscina e do quanto a gente se amou.
Porque, mesmo que a gente não tenha falado sobre isso, eu sei que a gente se ama. E eu sei que a gente sempre vai se amar, mesmo que a gente não possa ficar junta pra sempre.
Passaram-se algumas semanas desde a noite inesquecível que passei com as minhas melhores amigas. Desde então, não falamos muito sobre o que aconteceu, mas sempre que nos olhávamos, eu sentia que havia algo diferente entre nós. Era como se tivéssemos estabelecido uma conexão ainda mais profunda do que já existia antes.
Um dia, enquanto conversávávamos sobre os próximos shows que iríamos assistir, minha amiga Marcela olhou para mim e disse: "Eu preciso te contar uma coisa, Bia. Eu fui ao show do [nome da banda] sozinha, ontem."
Fiquei surpresa com a confissão dela. Desde que nos conhecemos, sempre fomos juntas aos shows. Era uma espécie de tradição entre nós três.
"Por quê? O que aconteceu?" perguntei, curiosa para saber o que a havia levado a quebrar essa tradição.
Marcela suspirou e começou a contar: "Bem, na verdade, eu estava com medo de que, se eu fosse com vocês, a gente acabasse repetindo o que aconteceu naquela noite na casa da Isa. E eu não sei se estou pronta para isso. Foi incrível, mas também meio confuso para mim. Eu preciso de um tempo para entender o que tudo aquilo significa."
Senti uma pontada de dor no meu coração ao ouvir isso. Eu também estava confusa sobre o que havia acontecido entre nós três, mas não imaginei que Marcela estivesse sentindo a mesma coisa. Pensei que tivéssemos deixado tudo claro naquela noite, quando ficamos abraçadas por horas depois de fazer amor.
"Eu não sabia que você estava sentindo isso, Marcela", respondi, tentando controlar a emoção na minha voz. "Eu achei que a gente tinha superado tudo juntas. Mas eu entendo que você precise de espaço para processar tudo isso. E eu respeito isso."
Isa, que estava ouvindo a conversa em silêncio, concordou com a cabeça. "Eu também respeito isso, Marcela. Nós sempre vamos estar aqui para você, não importa o que aconteça. E se você precisar conversar sobre isso, estamos disponíveis para escutar."
Marcela sorriu para nós duas, agradecida. "Obrigado, meninas. Eu realmente aprecio o apoio de vocês. E eu prometo que, assim que eu estiver pronta para conversar sobre tudo isso, eu vou contar tudo para vocês. Agora, quem vai ao show do [nome da banda] comigo?"