A descrição do Airbnb não mencionava o dono

Quarto privativo, banheiro compartilhado, café incluso — tudo correto, exceto que o anfitrião morava ali e preparava café às seis da manhã enquanto cantarolava. Na terceira manhã, ela parou de fingir que havia reservado aquilo só pelo quarto.

A descrição do Airbnb estava perfeita. Quarto privativo, banheiro compartilhado, café incluso. Não esperava, porém, que o anfitrião morasse ali mesmo. Nem que ele acordasse às seis da manhã para preparar o café, cantando uma música que não consegui identificar, mas que me fez sorrir enquanto eu me vestia às pressas para não cruzá-lo no corredor.

Meu nome é Ana e eu estava aproveitando minhas férias para viajar pelo litoral brasileiro. A primeira parada foi em uma cidade pequena, mas cheia de vida. Foi lá que reservei o quarto no Airbnb. O anúncio não mencionava que o dono da casa também morava ali, mas não foi isso que me incomodou. O que me deixava desconfortável era a presença dele, sempre tão cedo pela manhã, preparando o café com um cantarolar gostoso.

Ele se chamava Marco e tinha um sorriso que poderia iluminar uma cidade inteira. Era alto, com ombros largos e uma tatuagem de uma onda gigante no braço esquerdo. Seus olhos eram verde-mar, como o oceano na maré alta, e tinha uma barba bem cuidada, que lhe dava um ar de mistério.

Nos primeiros dias, eu fazia questão de sair cedo para não encontrá-lo. Tomava meu café sozinha, na praça em frente à casa, e voltava apenas tarde da noite, quando já estava tudo em silêncio. Mas na terceira manhã, enquanto eu me enrolava numa toalha após o banho, ouvi sua voz do lado de fora do banheiro compartilhado.

— Desculpe, eu não quis te assustar — disse ele, abrindo um sorriso quando me viu ali parada, com o cabelo molhado e a toalha bem presa em torno do meu corpo.

— Tudo bem — respondi, tentando disfarçar meu constrangimento. — Eu é que deveria ter trancado a porta.

— Não precisa disso — afirmou ele, apoiando-se no batente da porta. — Afinal, estamos dividindo a casa. Não precisa ter vergonha do seu corpo, Ana. Ele é lindo.

Senti minhas bochechas queimarem com o elogio. Não estava acostumada com comentários assim, tão diretos e sinceros. Mas havia algo em Marco que me fazia sentir à vontade, mesmo com ele tão perto de mim, quase tocando minha pele.

— Você está gostando da cidade? — perguntou ele, mudando de assunto.

— Sim, é linda. E o café da manhã é ótimo — respondi, sorrindo.

— Fico feliz que esteja gostando — disse ele, sem se mover dali. — Se precisar de alguma coisa, é só me procurar. Estou sempre por aqui.

Com isso, ele se afastou e eu pude respirar novamente. O resto do dia passou numa mistura de tensão e desejo. Eu não conseguia parar de pensar em Marco, em seu sorriso, em seu corpo forte, em seu jeito despojado. E percebi que não estava mais me esforçando para não encontrá-lo. Pelo contrário, eu queria estar perto dele, ouvi-lo cantarolar enquanto preparava o café, vê-lo sorrir enquanto tomávamos café juntos.

Naquela noite, depois de jantarmos juntos na varanda, eu estava lavando a louça quando senti suas mãos em minha cintura. Ele se aproximou de mim, apoiando o queixo em meu ombro.

— Você é linda, Ana — sussurrou ele em meu ouvido. — E eu não consigo parar de pensar em você.

Senti meu corpo inteiro tremer com aquelas palavras. Virei-me para encará-lo, seus olhos verdes brilhando com o desejo que sentia por mim. Não resisti e o beijei, sentindo sua barba por fazer roçar em minha pele, enquanto suas mãos passeavam por meu corpo, explorando cada curva.

— Venha para a minha cama, Ana — pediu ele, segurando minha mão e me levando até seu quarto.

Lá dentro, ele começou a me despir, beijando cada pedacinho de pele que ficava à mostra. Sua boca era quente e suas mãos eram suaves, fazendo-me sentir desejo e segurança ao mesmo tempo. Quando finalmente ficamos nus, ele me deitou na cama e começou a me beijar novamente, descendo pelo meu pescoço, meus seios, minha barriga, até chegar ao ponto mais sensível do meu corpo.

Senti sua boca ali, me beijando e me lambendo, me fazendo arquear as costas de prazer. E quando eu não aguentava mais, ele subiu até meu rosto e me beijou, deixando que eu provasse meu próprio gosto em seus lábios.

— Eu te quero — disse ele, antes de me penetrar devagar, sentindo cada centímetro do meu corpo. — Eu te quero muito.

E ali, deitados na cama dele, nós dois nus e suados, eu percebi que tinha encontrado algo muito maior do que um quarto privativo e um café incluso. Eu tinha encontrado um homem que me fazia sentir viva, que me fazia desejá-lo com cada poro do meu corpo, que me fazia querer mais dele, sempre mais.

Mas não era só sexo. Era algo mais intenso, mais profundo. Era uma conexão que eu não conseguia explicar, que me fazia sentir à vontade em seus braços, que me fazia querer acordar todas as manhãs ouvindo-o cantarolar enquanto preparava o café.

E assim foram meus dias em aquela cidade, dividindo a casa com Marco, aproveitando cada momento ao lado dele, sentindo-me viva e apaixonada. Foi uma viagem inesquecível, não apenas pela paisagem linda, mas principalmente pelo encontro inesperado com aquele homem maravilhoso.

Quando chegou a hora de ir embora, eu não queria partir. Queria ficar ali, ao lado dele, para sempre. Mas sabia que tinha outras cidades para conhecer, outras aventuras para viver. E assim, com um beijo e um abraço apertado, eu me despedi de Marco e segui meu caminho, levando comigo a lembrança da melhor viagem que já havia feito na vida.

Mesmo depois de ter partido, não consegui esquecer Marco. Suas palavras ecoavam em minha cabeça todas as noites antes de dormir e todas as manhãs ao acordar. Sua voz rouca e seu sotaque marcante faziam meu coração bater mais rápido e minha pele arrepiar. Eu ainda podia sentir suas mãos em meu corpo, seu cheiro em minhas roupas e seu gosto em meus lábios. Foi então que decidi que não queria mais ficar longe dele. Liguei para a empresa onde havia alugado o quarto no Airbnb e perguntei se havia alguma maneira de eu poder voltar para lá. Eles disseram que seria possível se Marco concordasse em me alugar o quarto novamente. Liguei para ele logo em seguida, mas não obtive resposta. Deixei uma mensagem de voz lhe explicando a situação e pedindo que me ligasse de volta o mais breve possível. Os dias se passaram e eu não tinha notícias dele. Comecei a perder as esperanças de que ele sequer tivesse ouvido minha mensagem. Mas então, uma semana depois, meu telefone tocou e o nome de Marco apareceu na tela. Atendi rapidamente, com o coração batendo acelerado. — Ana — disse ele, com sua voz grave e sexy. — Fiquei muito feliz quando ouvi sua mensagem. Eu estava na estrada, fora da cidade, e só agora consegui ligar de volta. — Fico feliz em saber que você recebeu minha mensagem — respondi, sorrindo. — Eu estava desesperada para saber se você tinha mudado de ideia sobre me ver novamente. — Na verdade, Ana, eu estava torcendo para que você me ligasse — confessou ele. — Estou muito grato por você ter encontrado outra pessoa para ficar no quarto enquanto eu estava fora, mas espero que você esteja disposta a vir morar comigo novamente agora que voltei. — Eu não estava ficando com outra pessoa, Marco — admiti. — Eu não conseguia esquecer você e decidi que queria passar mais tempo com você. — Então você veio até aqui só para me ver? — perguntou ele, surpreso. — Sim — respondi, sorrindo. — E espero que você não se importe com isso. — Não me importo, Ana — disse ele, rindo. — Na verdade, fico muito feliz com isso. E sabe o que mais? Acho que você deveria vir morar comigo definitivamente. Não precisamos mais ficar com rodeios, podemos ser abertos um com o outro e aproveitar cada momento juntos. — Eu adoraria isso, Marco — respondi, sentindo meu coração explodir de felicidade. — Mas eu preciso saber se você está disposto a me aceitar como sou, com todos os meus defeitos e loucuras. — Eu te aceito do jeito que você é, Ana — afirmou ele. — E não apenas isso, eu te quero muito. — E eu te quero também — respondi, sorrindo. — Mais do que qualquer outra coisa no mundo. E assim, depois de alguns dias organizando minhas coisas e me despedindo de minha antiga vida, fui morar com Marco. E dessa vez, não era só por uma semana ou duas. Era para sempre.

Ana chegou à casa de Marco com uma bagagem cheia de sonhos e esperanças. Ele a recebeu com um abraço apertado e um beijo apaixonado, deixando claro que a desejo ainda era muito forte entre eles. Depois de ajudá-la a levar suas coisas para dentro, Marco a levou para conhecer a casa inteira.

— Esta é a nossa sala de estar — disse ele, apontando para o sofá e a televisão. — E ali é a cozinha, se você precisar de alguma coisa enquanto eu não estiver em casa. E, é claro, este é o nosso quarto — continuou, abrindo a porta para um quarto amplo e bem iluminado, com uma cama king size no meio.

Ana sorriu, nervosa, mas excitada com a perspectiva de compartilhar um quarto com Marco. Ele lhe deu um beijo na bochecha e disse:

— Fique à vontade para colocar suas coisas onde quiser. Eu vou fazer um café enquanto você se instala.

Enquanto Marco estava ocupado na cozinha, Ana começou a colocar suas roupas no armário e seus objetos de higiene no banheiro. Ela estava tão envolvida em sua tarefa que não percebeu que Marco tinha voltado ao quarto.

— Precisa de ajuda com alguma coisa? — perguntou ele, aproximando-se dela por trás e passando os braços em volta de sua cintura.

Ana ficou surpresa com o toque dele e deixou escapar um pequeno suspiro.

— Não, obrigada — respondeu ela, sorrindo. — Eu já quase terminei.

— Bom, porque eu estava pensando que poderíamos passar o resto do dia fazendo outras coisas — disse Marco, com um brilho malicioso nos olhos.

— É mesmo? — perguntou Ana, sentindo o coração bater mais rápido. — E o que você tinha em mente?

Marco não respondeu, apenas a virou para encará-lo e a beijou com paixão. Ana sentiu sua cabeça girar enquanto ele a beijava, e logo estava envolvida demais para se importar com qualquer outra coisa além daquele momento.

Eles passaram o resto do dia explorando seus corpos e descobrindo novas maneiras de se agradar um ao outro. À noite, depois de uma rápida parada para jantar, eles voltaram para o quarto e continuaram onde haviam parado. Quando finalmente adormeceram, abraçados um ao outro, Ana teve a sensação de que finalmente tinha encontrado seu lugar no mundo.

Mas a vida não é sempre tão simples, e logo eles teriam que enfrentar alguns desafios que testariam a força de seu relacionamento. Mas, por enquanto, tudo o que importava era o fato de eles estarem juntos e felizes.