A fotógrafa que ela contratou para o ensaio não estava no script

O briefing era claro: sensual, não explícito, luz natural. Quando a sessão acabou e ela foi ver as fotos na câmera, as duas ficaram olhando a mesma coisa — mas não eram as fotos.

Eu sou uma fotógrafa freelancer, com um estúdio em minha casa e uma pequena clientela que me permite viver sem grandes preocupações financeiras. Meu estilo é natural, eu gosto de captar a essência das pessoas, suas emoções, seus sentimentos, sem recorrer a artifícios ou poses forçadas. Meu trabalho é minha paixão, meu prazer, minha vida.

Até hoje, nunca tive nenhum problema com meus clientes. Sempre fui clara em meu briefing, sempre fui profissional e sempre entreguei o que eles esperavam. Até que ela apareceu.

Ela entrou em meu estúdio como um furacão, com seus cabelos loiros e cacheados, seus olhos azuis claros e sua risada gostosa. Era uma mulher de trinta e poucos anos, com um corpo escultural e uma presença marcante. Ela queria fazer um ensaio fotográfico para comemorar seus dez anos de casamento. Queria algo sensual, mas não explícito, algo que lembrasse a paixão dos primeiros tempos. Ela queria que eu captasse a essência da sua relação, a química entre ela e seu marido.

Eu fiquei meio hesitante com o pedido, não porque eu não pudesse fazer algo assim, mas porque eu nunca tinha feito algo tão pessoal. Mas ela foi tão sincera, tão aberta, tão apaixonada, que eu não pude deixar de aceitar o desafio.

O dia do ensaio chegou e eu estava um pouco nervosa. Eu não conhecia o marido dela, ela não quis que eu conhecesse antes do ensaio, disse que queria que eu captasse a primeira impressão, a primeira sensação. Eu me preparei para o pior, mas quando eles chegaram, eu fiquei surpresa com a química entre eles. Eles se olhavam com tanto carinho, tanto amor, tanto desejo, que eu quase pude sentir o calor entre eles.

Eu comecei a trabalhar, guiando-os através das poses, sugerindo alguns gestos, alguns olhares, alguns toques. Eles se deixaram levar, se entregando à câmera, se entregando um ao outro. Eu nunca tinha visto algo assim, tão verdadeiro, tão intenso, tão... sensual.

Depois de algumas horas, eu estava cansada, eles também. Eu disse que tínhamos material suficiente para um livro de fotos e que podíamos parar por hoje. Eles agradeceram, se abraçaram e foram embora, me deixando sozinha no estúdio com meus pensamentos e minha câmera.

Eu comecei a revisar as fotos na câmera, escolhendo as melhores para enviar para ela. E foi então que eu percebi. Algo estava errado. Ou melhor, algo estava certo, mas não deveria estar.

Eu vi as fotos dela e do marido, as poses sensuais, os olhares apaixonados, os toques carinhosos. Mas eu também vi algo mais. Eu vi o olhar dela em mim, não no marido. Eu vi a mão dela na minha perna, não na dele. Eu vi o corpo dela se aproximando do meu, não do dele. Eu vi o desejo nos olhos dela, mas não era por ele.

Eu fiquei paralisada, olhando para as fotos, olhando para ela. Eu não conseguia entender o que tinha acontecido. Eu não conseguia entender como ela tinha feito aquilo, como ela tinha mudado o foco do ensaio, como ela tinha mudado o foco do meu trabalho.

Eu liguei para ela, exigindo uma explicação. Ela veio até o estúdio, sozinha. Ela olhou para as fotos, viu o que eu tinha visto e riu. Ela riu alto, ela riu gostoso, ela riu como tinha rido no primeiro dia em que nos conhecemos.

Eu não achei graça nenhuma. Eu fiquei puta da vida, eu fiquei ofendida, eu fiquei confusa.

"Eu não achei graça nenhuma", eu disse, cruzando os braços. "Eu não entendo como você pôde fazer algo assim. Eu estava lá para fotografar você e seu marido, não para ser o objeto do seu desejo."

Ela parou de rir, mas a expressão de diversão permaneceu em seu rosto. "Eu sinto muito se eu te confundi", ela disse, ainda sorrindo. "Eu não consegui me controlar. Você é tão talentosa, tão bonita, tão cheia de vida. Eu não pude deixar de sentir algo por você. E eu achei que isso poderia acrescentar algo ao ensaio, algo novo, algo diferente."

Eu olhei para ela, incrédula. "Você achou que poderia usar sua atração por mim para tornar o ensaio mais interessante? Você não acha que isso é uma invasão da minha privacidade, da minha profissionalidade?"

Ela se aproximou de mim, o sorriso sumindo do seu rosto. "Eu não quis te invadir, eu não quis te ofender. Eu só quis explorar algo novo, algo diferente. E eu achei que você seria a pessoa perfeita para isso. Afinal, você é uma fotógrafa tão talentosa, tão criativa. Eu achei que você entenderia."

Eu recuei, me afastando dela. "Eu não entendo", eu disse. "Eu não entendo como você pode ser tão egoísta, tão cruel. Eu não entendo como você pode achar que pode usar as pessoas assim, como se fôssemos objetos, instrumentos para o seu prazer."

Ela ficou quieta por um momento, olhando para mim. Então, ela disse: "Eu não quis ser egoísta, eu não quis ser cruel. Eu só quis explorar algo novo, algo diferente. E eu achei que você seria a pessoa perfeita para isso. Afinal, você é uma fotógrafa tão talentosa, tão criativa. Eu achei que você entenderia."

Eu balancei a cabeça, me sentindo confusa, ofendida, usada. "Eu não posso continuar trabalhando com você", eu disse. "Eu não posso continuar sendo um objeto do seu desejo, sendo usada para o seu prazer. Eu não posso continuar sendo tratada assim."

Ela ficou quieta por um momento, então ela disse: "Eu sinto muito se eu te ofendi, se eu te usei. Eu não quis fazer isso. Eu só quis explorar algo novo, algo diferente. E eu achei que você seria a pessoa perfeita para isso. Afinal, você é uma fotógrafa tão talentosa, tão criativa. Eu achei que você entenderia."

Eu não disse nada, só peguei as fotos e comecei a guardar minha câmera. Ela ficou olhando para mim, então ela disse: "Eu não vou desistir, você sabe. Eu não vou desistir de explorar algo novo, algo diferente. Eu vou encontrar outra fotógrafa, outra pessoa que entenda o que eu quero fazer. Eu não vou desistir até encontrar alguém que possa me ajudar a explorar esse desejo, esse desejo que eu sinto por você."

Eu olhei para ela, surpresa. "Eu não sou uma opção", eu disse. "Eu não vou ser usada assim, eu não vou ser tratada assim. Você precisa entender isso. Você precisa entender que você não pode usar as pessoas assim, que você não pode tratá-las assim."

Ela ficou quieta por um momento, então ela disse: "Eu entendo", ela disse. "Eu não vou desistir de explorar algo novo, algo diferente. Mas eu vou respeitar a sua decisão. Eu não vou te usar, eu não vou te tratar assim. Eu vou encontrar outra pessoa, outra fotógrafa que possa me ajudar a explorar esse desejo, esse desejo que eu sinto por você. Mas eu vou te deixar em paz. Eu não vou te incomodar mais."

Eu suspirei, aliviada. "Obrigado", eu disse. "Eu espero que você possa encontrar alguém que possa te ajudar a explorar esse desejo, alguém que possa te entender. Mas eu não posso ser essa pessoa. Eu não posso ser usada assim, eu não posso ser tratada assim."

Ela sorriu, um sorriso triste, então ela saiu do estúdio, me deixando sozinha com meus pensamentos e minha câmera. Eu comecei a revisar as fotos novamente, escolhendo as melhores para enviar para ela. E eu percebi que, apesar de tudo o que tinha acontecido, eu ainda tinha algumas fotos incríveis. Fotos que mostravam a verdadeira química entre ela e o marido, fotos que mostravam o verdadeiro amor entre eles.

Eu continuei revisando as fotos, selecionando as melhores para enviar para ela. Enquanto fazia isso, percebi que ela tinha deixado seu número de telefone no meu cartão de visita. Eu hesitei por um momento, então peguei meu celular e comecei a digitar o número. Eu não sabia bem o que estava fazendo, mas eu tinha uma sensação estranha no meu estômago, uma sensação que eu não conseguia ignorar.

Eu disquei o número e ela atendeu depois de dois toques. "Alô?", ela disse, parecendo surpresa. "Oi", eu disse, minha voz saindo mais hesitante do que eu gostaria. "Eu sei que eu disse que não ia te incomodar mais, mas eu não consigo parar de pensar naquelas fotos. Eu acho que temos algo aí, algo que merece ser explorado. Eu sei que eu te tratei mal, eu sei que eu fui uma idiota. Mas eu gostaria de ter a chance de fazer as coisas direito, de explorar isso com você. Se você ainda quiser, é claro."

Houve um silêncio do outro lado da linha por um momento, então ela disse: "Eu não sei o que dizer. Eu não esperava que você fosse ligar. Mas eu ainda sinto algo aí também, algo que eu não consigo ignorar. Eu gostaria de explorar isso com você, mas eu não quero te tratar mal de novo. Eu não quero te usar. Eu quero fazer as coisas direito desta vez."

"Eu também quero fazer as coisas direito", eu disse. "Eu não sei como isso vai acontecer, mas eu gostaria de tentar. Eu gostaria de explorar isso com você, ver aonde isso pode nos levar. Mas eu preciso que você saiba que eu não sou uma opção, eu não sou uma pessoa que pode ser usada assim. Eu preciso que você respeite isso, que você respeite a minha decisão."

"Eu respeito", ela disse. "Eu respeito você e eu respeito a sua decisão. Eu não vou te usar, eu não vou te tratar mal. Eu vou fazer as coisas direito desta vez. Eu prometo."